10 de Junho – João Gilberto e Foz do Iguaçu – 2017

☺ CAPA • João Gilberto 86 Anos

▒ CIDADE • Foz do Iguaçu (PR) 103 Anos

▒ NASCIMENTOS • Gustave Courbet • Nair de Tefé • Judy Garland • Luciana Paluzzi • Guinga • Djenane Machado • Laerte Coutinho • Bia Lessa • Maxi Priest • Gina Gershon • Jeanne Tripplehorn • Elizabeth Hurley • Mylla Christie • Renata Vasconcellos • Mariana Kupfer

▒ FALECIMENTOS • Spencer Tracy • Nair de Tefé • Rômulo Arantes • Ray Charles

1 ▒ POSTER e VÍDEOS

GALERIA de VÍDEOS
Principais Vídeos da WEB publicados no Acontecimentos do Dia e outras WEB TVs da Rede Sampaio

2 ▒ NASCIMENTOS

1819Gustave Courbet ▒ Gustave Courbet (Ornans, 10 de junho de 1819 — La Tour-de-Peilz, 31 de dezembro de 1877) foi um pintor francês pioneiro do estilo realista francês.

Foi acima de tudo um pintor da vida camponesa de sua região. Ergueu a bandeira do realismo contra a pintura literária ou de imaginação.


1886Nair de Tefé ▒ Nair de Tefé von Hoonholtz (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. Foi a primeira caricaturista mulher do mundo, e a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914, como esposa do marechal Hermes da Fonseca.


10 de junho - Judy Garland, cantora e atriz estadunidense

1922Judy Garland ▒ Judy Garland, nome artístico de Frances Ethel Gumm (Grand Rapids, 10 de junho de 1922Londres, 22 de junho de 1969), foi uma atriz americana da “Era de Ouro” de Hollywood dos filmes musicais.[1] Recebeu o Oscar Juvenil, um prêmio especial em reconhecimento por sua atuação em O Mágico de Oz e Babes in Arms.


1937Luciana Paluzzi ▒ Luciana Paluzzi (Roma, 10 de junho de 1937) é uma atriz italiana, mais conhecida como a sensual vilã Fiona Volpe de 007 contra a Chantagem Atômica / 007 – Operação Relâmpago, de 1965, o filme de maior sucesso de bilheteria de toda a série de James Bond.[1]


1950Guinga ▒ Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar (Rio de Janeiro, 10 de junho de 1950), mais conhecido como Guinga, é um compositor e violonista brasileiro. Teve várias de suas músicas gravadas por nomes, como: Elis Regina, Cauby Peixoto, Michel Legrand, Sérgio Mendes, Chico Buarque, Ivan Lins, Leila Pinheiro, Ronnie Von, entre outros.


1951Djenane Machado ▒ Djenane Vasconcelos Machado (Rio de Janeiro, 10 de junho de 1951) é uma atriz brasileira. A participação no seriado A Grande Família vivendo Bebel na primeira temporada (73/74) fez com que Djenane ganhasse projeção nacional.


10 de junho - Laerte Coutinho, cartunista brasileiro

1951Laerte Coutinho ▒ Laerte Coutinho OMC (São Paulo, 10 de junho de 1951) é uma cartunista e chargista brasileira, considerada uma das artistas mais importantes na área. Laerte participou do Balão e de O Pasquim. Também colaborou com a Veja, Istoé, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.Em 2010, tornou pública sua prática do crossdressing, identificando-se como transgênero.


10 de junho - Bia Lessa, atriz brasileira

1958Bia Lessa ▒ Beatriz Ferreira Lessa, conhecida como Bia Lessa (São Paulo, 10 de junho de 1958), é uma atriz e diretora brasileira. Estudou no Tablado.[1] Estreou como atriz em Maroquinhas Fru-Fru, de Maria Clara Machado, com direção de Wolf Maya.[1] Em 2010 reinaugura o Theatro Municipal do Rio de Janeiro com a ópera de Verdi, O trovador.

10 de junho - Maxi Priest, músico inglês

1960Maxi Priest ▒ Maxi Priest, nome artístico de Max Alfred Elliott (10 de Junho de 1961, Londres, Inglaterra), é um cantor inglês de reggae conhecido como o “Rei do Lovers Rock”. Em 1990, com a música “Close to You”, do álbum “Bonafide”, Maxi atinge o topo da parada de singles da Billboard e segundo lugar na parada de singles de R&B.


1962Gina Gershon ▒ Gina Gershon (Los Angeles, 10 de Junho de 1962) é uma atriz e dubladora estadunidense. Além de dezenas de filmes, Gina participou dos videoclipes “Hello Again”, de 1984, do The Cars, e também de “Again”, de Lenny Kravitz, no qual interpretou sua namorada.


1963Jeanne Tripplehorn ▒ Jeanne Tripplehorn (Tulsa, 10 de junho de 1963) é uma atriz norte- americana. Despontou para o mundo no filme Instinto Selvagem (1992), onde viveu a Dr. Beth Garner. É casada com Leland Orser, com quem tem um filho, nascido em 2002.


1965Elizabeth Hurley ▒ Elizabeth Jane Hurley (Basingstoke, 10 de junho de 1965) é uma atriz, modelo, produtora e estilista de moda britânica nascida na Inglaterra, mais conhecida como exemplo de “celebridade profissional”, pelos filmes de Austin Powers, por sua relação com o ator Hugh Grant e por ser o rosto e a relações públicas mundial da marca de moda e beleza Estée Lauder.


10 de junho - Mylla Christie, atriz brasileira

1971Mylla Christie ▒ Mylla Christie Vitta Sartori (São Paulo, 10 de junho de 1971) é uma atriz, modelo, apresentadora e empresária brasileira. Atuou em várias novelas. Ganhou projeção nacional em 1995, quando interpretou Silene, a filha da protagonista vivida por Cláudia Raia na minissérie Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados.


10 de junho - Renata Vasconcellos, jornalista brasileira

1972Renata Vasconcellos ▒ Renata Fernandes Vasconcellos (Rio de Janeiro, 10 de junho de 1972) é uma jornalista e ex-modelo brasileira. Trabalha na Rede Globo há quase 20 anos e apresentou alguns dos principais jornalísticos da emissora, como Jornal Hoje, Bom Dia Brasil, Fantástico e uma das pioneiras que colocou no ar a GloboNews, o primeiro canal de notícias do Brasil. Atualmente é apresentadora do Jornal Nacional.[1]


1974Mariana Kupfer ▒ Mariana Kupfer (São Paulo, 10 de junho de 1974) é uma atriz, apresentadora , cantora e modelo brasileira. Sua primeira participação no cinema foi no longa- metragem Sau Paulo, de Dardo Toledo de Barros. Na televisão, estreou em 1998, com participação na novela Estrela de Fogo, da TV Record.

3 ▒ CAPA do DIA

João Gilberto

86 Anos

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (Juazeiro, 10 de junho de 1931), conhecido como João Gilberto, é um cantor, violonista e compositor brasileiro.

Tido como o pioneiro criador da bossa nova, é considerado um gênio e uma lenda viva da música popular brasileira[1].

Foi eleito pela revista Rolling Stone Brasil o 2º maior artista brasileiro de todos os tempos, atrás somente de Tom Jobim.[2]

Desde o lançamento de Chega de Saudade, munido apenas da voz e do violão, começou uma revolução na música brasileira[3] e na música mundial.

Escultura de João Gilberto na orla de Juazeiro.

Dono de uma sonoridade original e moderna, João Gilberto foi o artista que levou a música popular brasileira ao mundo, principalmente para os Estados Unidos, Europa e Japão.

Tido como um dos maiores influentes do jazz americano no século XX, ganhou prêmios importantes nos Estados Unidos e na Europa, como o Grammy, em meio à beatlemania.

João Gilberto e Bebel Gilberto (sua filha), em post no Instagram de Bebel, em 2015.

Biografia

Infância e juventude

Filho de Juveniano Domingos de Oliveira, um próspero comerciante, e Martinha do Prado Pereira de Oliveira[4], João, conhecido na época como Joãozinho da Patu, nasceu em Juazeiro, sertão da Bahia, nas margens do Rio São Francisco.

Lá, viveu na cidade até 1942, quando passou a estudar em Aracaju, Sergipe, sempre tocando na banda escolar[4].

Em 1946, voltou a Juazeiro, onde teve a oportunidade de escutar de Orlando Silva, Dorival Caymmi e Carmen Miranda a até Duke Ellington, Tommy Dorsey e Charles Trenet nos alto-falantes da cidade.

Teve também contato com música em casa, já que seu Juveniano tocava cavaquinho e saxofone como amador, além de incentivar financeiramente a Banda de Música 22 de Março.

Nessa época, João costumava formar conjuntos vocais com os colegas de escola.

Aos sete anos, percebeu um erro na execução da organista da igreja em meio às dezenas de vozes do coro[5], mostrando, desde a infância, o ouvido privilegiado que possuía.

Aos 14 anos, ganhou seu primeiro violão do pai[4]. Ainda em Juazeiro, formou um conjunto vocal chamado Enamorados do Ritmo[4].

Seu maior ídolo na época era Orlando Silva, em quem se espelhava para cantar. Começou, aos 18 anos, em Salvador, a vida de artista no cast da Rádio Sociedade da Bahia, aonde chegou a gravar com orquestra[4].

Início da carreira

Convidado para integrar o conjunto vocal Garotos da Lua, em 1950, João Gilberto parte para o Rio de Janeiro.

No ano seguinte, com o destaque na rádio, os Garotos da Lua gravaram dois discos de 78 rpm. Entretanto, com um início de carreira turbulento, marcado por atrasos, João acabou despedido do grupo.

Pouco depois, em 1952, teve oportunidade de gravar um disco solo para a gravadora Copacabana, marcado pela semelhança do canto de João com o de Orlando Silva em seu auge, com vozeirão e uso de artifícios técnicos como vibratos, a mesma divisão de palavras e o mesmo “sentimento”.

Rita Lee e João Gilberto.

Curiosamente, João canta sem violão, que viria a se tornar tão ligado a imagem de João no futuro.

O disco, no entanto, não alcançou nenhum sucesso, Orlando era antiquado e moderno era Dick Farney e Lúcio Alves.

Na época, João namorava a futura cantora Sylvia Telles. Nesta época dividia o quarto da pensão com Luiz Carlos Paraná.

Oportunidades surgiram e Lúcio Alves sugeriu a Rádio Nacional que João gravasse um acetato contendo “Just one more chance”, de Sam Coslow e Arthur Johnson em versão de Haroldo Barbosa chamada “Um minuto só”.

Em 1953, teve sua primeira composição gravada, “Você esteve com meu bem”, parceria com Russo do Pandeiro, na voz de Marisa Gata Mansa, sua namorada à época. A gravação contou com acompanhamento de João ao violão, ainda sem a famosa batida da bossa nova.

Durante esses anos, João Gilberto chegou a gravar alguns jingles no estúdio de Russo do Pandeiro, como um para a Toddy, de letra “Eu era um garoto magricelo/ Muito feio e amarelo.// Toddy todo dia ele tomou/ Engordou e melhorou/ Forte ficou.// As garotas agora me chamam bonitão/ No esporte eu sou campeão”. Tocava também em festas da sociedade, com cachês irrisórios.

Em 1954, João conheceu Carlos Machado, o Rei da Noite, e com ele consegue participar do show “Esta vida é um carnaval”, na boate Casablanca, com participação de Grande Otelo, Ataulfo Alves, a bateria da Império Serrano, entre outros artistas.

João cantava em coro em uma cena e em outra cantava como solista um samba de Sinhô, “Recordar é viver”, além de fazer pequenas aparições teatrais. O espetáculo foi um sucesso de crítica e público. Nesse mesmo ano, se juntara ao conjunto Quitandinha Serenaders.

No grupo, conheceu Luiz Bonfá, Alberto Ruschel e Luís Telles, que se tornou um grande amigo de João. Chegou a integrar o conjunto Anjos do Inferno, em uma curta temporada paulista.

A consagração, no entanto, não viria a João ainda nestes anos.

Em 1955, João dirige-se a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com seu amigo Luís Telles.

Lá, conheceu Armando Albuquerque, compositor, pianista, violinista, professor, musicólogo e amigo de Radamés Gnatalli, com quem passou horas estudando música, principalmente harmonia[3].

Depois de oito meses, João decide se dirigir a Diamantina, Minas Gerais, para viver com a irmã Dadainha, recém casada e com uma filha recém nascida. Durante os estudos, João percebeu que, se cantasse mais baixo, sem vibrato, poderia adiantar ou atrasar o canto em relação ao ritmo, desde que a batida fosse constante, criando assim seu próprio tempo[6].

Depois de sete meses em Diamantina[7], João partiu para Juazeiro, onde passa dois meses com a família. Lá, compõe “Bim Bom[8], confiante de que havia encontrado a batida que queria.

Vai a Salvador, capital do estado, e por lá permanece por alguns dias. No início de 1957, João Gilberto parte para o Rio de Janeiro, para sua consagração.

Astrud e João Gilberto.

A apresentação da batida

Chegando ao Rio de Janeiro, em 1957, João, com 26 anos, procurou mostrar sua nova técnica aos músicos e, quem sabe, conseguir gravar.

Apresentou-se para vários músicos, intrigando alguns, entre eles Tito Madi e Edinho, do Trio Irakitan, mas encontrou seu caminho ao se apresentar para Roberto Menescal, em história já conhecida e consagrada.

Em meio a uma grande festa, Menescal abre a porta para um sujeito que pede um violão.

Surpreso com o pedido e diante de insistência, Roberto Menescal acaba por levar aquele que era João Gilberto para o quarto. Lá, João apresenta “Bim Bom” e encanta o jovem Menescal, que foge da festa dos pais e parte para uma pequena turnê pelo Rio de Janeiro, apresentando a nova batida para gente como Ronaldo Bôscoli e em lugares como o apartamento de Nara Leão[9].

João explicou algumas de suas novas técnicas a Menescal e Bôscoli: a mão direita tocava acordes, e não notas, produzindo harmonia e ritmo ao mesmo tempo. Além disso, utilizava-se de técnicas de respiração de ioga, o que lhe permitiu alongar frases melódicas sem perder o fôlego.

Nessa época, João se apresentou na casa de Chico Pereira, que gravou a apresentação em um gravador Grundig.

Essa gravação, adquirida de japoneses por um fã sueco e remasterizada por um engenheiro de som francês[10] caiu na internet em 2009[11], causando grande reboliço em blogs dedicados à música e em fãs de bossa nova. Chico ainda ajudou João a se aproximar de Tom Jobim, que trabalhava na gravadora Odeon, para gravar um disco.

Ele se encantou principalmente com o violão de João, vendo ali uma oportunidade de modernização do samba, através da simplificação do ritmo e da inclusão de novas harmonias, principalmente algo mais funcional, modalismo[12], criando liberdade para os arranjos[13]. Entusiasmado, Tom apresenta a João uma nova composição que fizera há um ano com o poeta Vinicius de Moraes, mas que estava encostada, chamada Chega de Saudade.

Existem registros de fitas gravadas de forma amadora também pelo cantor Luís Cláudio.[14]

João passou a ficar conhecido no meio musical carioca. Chegou a tocar junto de Severino Filho e Badeco, dos Cariocas, Chaim e João Donato, com quem compôs Minha Saudade, que logo se tornou um standard do período. João tocava regularmente na boate do hotel Plaza, que começou a ser ponto de encontro de músicos. Lá, João tocava junto de Milton Banana, que adequou sua bateria ao estilo de João, tocando baixo, com uma escova e a baqueta no aro da caixa. Tom Jobim era assíduo frequentador da boate, aonde ia para escutar João Gilberto.

O disco que mudou tudo

O ano de 1958 foi um marco para a música popular brasileira. Em julho, Elizete Cardoso lança o famoso LP Canção do Amor Demais, contendo músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

O disco, entretanto, entraria na história da música popular brasileira por outro motivo: João Gilberto acompanhava Elizete ao violão nas faixas Chega de Saudade e Outra Vez, sendo essas as primeiras gravações da chamada “batida da bossa nova”.

Em agosto, João lança um disco de 78 rpm contendo “Chega de Saudade” e “Bim Bom“, gravado na Odeon, com apoio de Tom Jobim, Dorival Caymmi e Aloysio de Oliveira. Este disco inaugura o gênero da bossa nova, e logo se torna um sucesso comercial. Sua gravação teve arranjos de Tom Jobim, participação de orquestra e de Milton Banana, entre outros artistas.

João inovou ao pedir dois microfones para gravar: um para a voz e outro para o violão.

Desse modo, a harmonia passou a ser mais claramente ouvida[3]. O disco estourou primeiro em São Paulo, o principal mercado do país na época. Foi um sucesso de vendas e primeiro lugar nas rádios. João participa, então, de programas de rádio e TV, dá entrevistas, faz shows.

Logo o sucesso parte para o Rio.

Em 1959, João lança mais um 78 rpm, dessa vez contendo Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça, e Hô-bá-lá-lá, composição própria.

Em março, lança o LP Chega de Saudade, que vira um sucesso de vendas. Diz-se que após conhecer João, Ary Barroso aconselhou-o: “Faça exatamente o que você quer!”[15].

A importância deste primeiro disco de João Gilberto é mostrada por Tom Jobim já no texto de contracapa do LP: “Em pouquíssimo tempo, (João) influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores[16][17].

1959-1962

Chega de saudade

Após o lançamento do LP Chega de Saudade, a nova batida do violão tornou-se moda entre os jovens secundaristas e universitários, encantados com o violão de João Gilberto.

Esse disco influenciou a geração de João e a geração seguinte de jovens que, depois de ouvir Chega de Saudade, decidiram-se pela carreira de músico.

João Gilberto – cantor, violonista e compositor brasileiro – tocando com Caetano Veloso e Gal Costa.

Entre os jovens estavam Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento[18], Edu Lobo, Francis Hime, Roberto Carlos, Jorge Ben Jor, Paulinho da Viola, entre outros[19].

Esse disco criou a mais completa reviravolta na música popular brasileira[19].

João sintetizou a MPB em seus termos fundamentais: ritmo, harmonia, batida de violão e técnica de canto[19].

Além disso, seu estilo, apesar de revolucionário, não rompeu com a música do passado, vez que gravou em seus discos velhas composições de Ary Barroso, Geraldo Pereira, Dorival Caymmi e sucessos de Orlando Silva[19].

Chamado de recompositor pela músico Luiz Tatit, João transformou velhas canções em novas, segundo sua concepção.

Jobim define o estilo de João como uma forma leve extensível a qualquer música brasileira[19].

João Gilberto define como marca harmônica inédita a economia.

Os arranjos de Tom Jobim, por exemplo, usam como guia o violão de João, que concentrava a fluidez rítmica e melódica[19]. Introduziu-se, nesse LP, o uso de acordes invertidos executados em bloco[19].

A canção Chega de Saudade, inicialmente, era um chorinho, e João a transformou num samba enxuto, com o violão deixando de ser mero acompanhamento e dividindo o primeiro plano com a voz[20].

Miúcha com o ex-marido João Gilberto e o irmão, Chico Buarque.

Com esse disco, João Gilberto deixa para trás o João pré-bossa do Rio e parte para sua consagração.

Participou do programa “Noite de Gala”, da TV Rio, dirigido por Luís Carlos Miele[21]. Ainda em 1959, casou-se com Astrud Evangelina Weinert, que ficou conhecida como Astrud Gilberto, e com ela teve um filho, João Marcelo, em 1960. João gravou uma participação no 78 rpm de Luiz Cláudio, acompanhando-o ao violão, na primeira gravação da canção Este Seu Olhar, de Tom Jobim, que tocou piano e fez o arranjo para a gravação, reeditada em 2005 na coletânea “Este Seu Olhar”, CD lançado pelo selo Revivendo do pesquisador Leon Barg.[22]. Gravou três canções da trilha sonora do filme Orfeu de Carnaval, ou Orfeu Negro, lançadas em um compacto-duplo pela Odeon. Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, João Gilberto não teve participação alguma na trilha sonora original do filme. Fez, também, shows na boate Meia Noite do Copacabana Palace e no Country Club do Rio de Janeiro. Em 1960, com a febre da batida de João, realizam-se vários festivais de bossa nova pelo Rio, como no Grupo Universitário Hebraico, na Escola Naval, na Rádio Globo – transmitido ao vivo -, e no Teatro de Arena da Faculdade Nacional de Arquitetura, este último com participação de João Gilberto e Chico Pereira, que gravou o espetáculo, além de presença de Vinicius de Moraes e Tom Jobim e ampla cobertura da mídia. Participou do programa “Brasil 60”, na TV Excelsior, com quem contracenava e fazia dueto com Orlando Silva[23], seu antigo ídolo, e teve um programa próprio, chamado Musical Três Leões, na TV Tupi, em São Paulo. João ainda participou do show de inauguração da TV Excelsior. Infelizmente, não há registro de gravações de vídeo ou áudio dessas apresentações[24][25]. Todos os novos músicos ligados ao movimento da bossa nova copiavam o modo de tocar e cantar de João. João ainda se apresenta em Minas Gerais, Salvador (com presença de Vinicius de Moraes), faz temporada na boate Arpège, no Leme, Rio de Janeiro e grava um jingle para a Lever, atual Unilever.

João com seu filho Marcelo Gilberto, fruto de seu casamento com Astrud.

O amor, o sorriso e a flor (1960) e João Gilberto (1961)

Ainda em 1960, João Gilberto gravou seu segundo LP, O Amor, o Sorriso e a Flor, que no ano de 1962 chegou aos Estados Unidos. Começa a exportação da moderna música brasileira. Esse LP trouxe outra inovação: a contracapa trazia as letras das músicas, que passou a ser característica dos discos brasileiros[19]. Vale o destaque da composição de Tom Jobim, o Samba de Uma Nota Só, síntese da bossa nova nos fundamentais elementos de letra, melodia, ritmo e harmonia[19].

Em 1961, gravou seu terceiro álbum, João Gilberto.

Seu terceiro LP foi gravado em duas fases: a primeira com Walter Wanderley e seu conjunto; a segunda, com orquestra sob regência de Tom Jobim. Os velhos sambas voltam, mas alterados de tal forma, rítmica e harmonicamente, que soavam como novos sambas[19].

Entre os efeitos usados por João, está o rubato, no qual se apressa ou encurta frases, cantando em tempo ligeiramente diferente do acompanhamento, “roubando” algum tempo das notas, para depois aguardar com o violão e seguir normalmente. Foi neste disco também que João, pela primeira vez, gravou sozinho, apenas com o violão[19].

Aparentemente, existem duas faixas gravadas e não lançadas no disco, segundo o músico Bebeto, ex-Tamba Trio.

Ele afirma que uma das gravações é Falseta, de Johnny Alf[26]. Com a gravação desse terceiro LP, João se eterniza na música popular brasileira, em tão pouco tempo influenciou tanto[27].

A edição americana desse disco teve uma nova gravação de Este Seu Olhar, com a melodia modificada, aparentemente por problemas de direito autoral.

Neste ano, em uma série de apresentações em São Paulo, João mostra que é unanimidade na capital paulista. Apresentou-se para 1500 pessoas na Universidade Mackenzie, lotou o teatro do clube Harmonia e do clube Pinheiros[24].

A batida chega nos Estados Unidos. Lena Horne canta “Bim Bom” em português no Copacabana Palace, dizendo-se fã de João Gilberto. Em Washington, na rádio WMAL, o disc jockey Felix Grant programa para tocar diariamente os discos de João, fato que provocou impacto nos músicos e aficionados de jazz[28].

João é considerado um fenômeno pelos jazzistas. Herbie Mann declara que João Gilberto atraiu a atenção dos americanos sobre a música brasileira[28].

A revista Life en Español, em ampla matéria de Joaquín Segura, do dia 29/10/1962, apresenta a bossa nova de João Gilberto aos Estados Unidos[28], “Nota de Actualidad BOSSA NOVA – Del Brasil llega a los EE.UU. una música contagiosa“. O jornalista descreve viagens ao Brasil de astros do jazz como Dizzy Gillespie, Charlie Byrd, Herbie Mann e voltam tentando imitar o violão e a voz de João Gilberto, descrito pelo jornalista como expoente máximo da bossa nova. Bim bom, Ho Ba La La e Um Abraço no Bonfá, composições de João, começam a chegar na França. Durante estes anos, João chegou a se apresentar no Uruguai e na Argentina, suas primeiras apresentações no exterior.

O Encontro do Au Bon Gourmet

Em 1962, faz o histórico show O Encontro no restaurante Au Bon Gourmet, localizado em Copacabana, ao lado de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Os Cariocas, Milton Banana e Otávio Bailly, sob direção de Aloysio de Oliveira.

Foi a única vez que Vinicius, João e Tom se apresentaram no mesmo palco.

A temporada durou um mês, estendido por duas semanas devido ao sucesso.

O público se constituía da alta sociedade carioca e círculos de artistas[29].

O show foi marcante pelo fato de ter sido a estreia de grandes sucessos da bossa nova. Entre eles, Só Danço Samba, Samba da Benção, O Astronauta, Samba do Avião e Garota de Ipanema, que nessa ocasião especial teve um introdução inédita escrita por Tom, Vinicius e João[29].

João inovou na canção Corcovado, composição de Tom Jobim, ao trocar o verso “um cigarro, um violão”, por “um cantinho, um violão”[29], como ficou consagrado.

A repercussão na mídia da época foi grande, com várias capas de revista e elogios em jornais[30].

João Gilberto fez uma pequena participação no LP José Vasconcelos conta histórias de bichos, da ODEON, na canção A Roupa do Leão.

O baixista Tião Neto, Tom Jobim, Stan Getz, João Gilberto e o baterista Milton Banana em gravação de ‘Getz e Gilberto’.

Pelo mundo

Concerto no Carnegie Hall

Em 1962, João participa de concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque, produzido pela Audio Fidelity Records e patrocinado pelo Itamaraty, com o objetivo de promover a bossa nova nos Estados Unidos. Além de João, participaram Luiz Bonfá, o conjunto de Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Tom Jobim, entre outros[31][32].

No dia 21 de novembro de 1962, três mil pessoas lotavam o Carnegie Hall, esperando ouvir, principalmente, Tom Jobim e João Gilberto. Entre os espectadores estavam Tony Bennett, Peggy Lee, Dizzy Gillespie, Miles Davis, Gerry Mulligan, Erroll Garner e Herbie Mann. Havia grande presença da imprensa americana, estimada em trezentos repórteres, fotógrafos cinegrafistas e críticos especializados do mundo inteiro[33], além de uma rádio que transmitia para Moscou e da Rádio Bandeirantes, que transmitia para o Brasil[31]. O show também foi filmado por uma TV americana, que posteriormente pôde ser exibido na TV Continental e na TV Tupi, no Brasil. A performance de João foi elogiada pela mídia americana, em reportagens de veículos como The New Yorker, Newsweek, Time, The New York Times e Down Beat[34]. Apesar de ser um cantor e violonista brasileiro, cantando em português músicas desconhecidas para um exigente público formado por músicos e críticos, João conquistou os Estados Unidos[35].

Apesar de alguns problemas de organização e com os equipamentos de som e com o excesso de apresentações, João Gilberto, Luiz Bonfá e Tom Jobim foram os destaques da noite.

Depois do episódio, João fez uma temporada pela boate Blue Angel, apresentou-se no Village Gate de Nova Iorque e no Lisner Auditorium de Washington. A partir daí, João passa a residir no exterior e começa a difundir a moderna música brasileira pelo mundo[36].

10 de Junho – João Gilberto entre o casal de escritores Jorge Amado e Zélia Gattai.

Seara Vermelha

No Brasil, é lançado o filme Seara Vermelha, que inclui, na trilha sonora, uma composição de João em parceria com Jorge Amado, composta nos anos 50, de nome Lamento da Morte de Dalva na Beira do Rio São Francisco, em Juazeiro[37].

Quando estavam compondo, João cantou infinitamente a melodia na casa de Jorge Amado.

A mulher de Jorge, Zélia Gattai, diz que, de tanto ouvir, o sofrê do casal aprendeu a melodia e começou a cantar. João acabou fazendo um dueto com o pássaro[38].

A letra da música permaneceu inédita durante anos, sem nunca ter sido gravada.

Getz/Gilberto

Nos dias 18 e 19 de março de 1963, na A&R Studios, em Nova Iorque[39], João se juntou a Stan Getz, Astrud Gilberto, Tom Jobim, Milton Banana e Tião Neto para gravar o disco Getz/Gilberto, produzido por Creed Taylor para a gravadora Verve, tendo, como engenheiro de som, Phil Ramone, que entrou para a história da música mundial por gravações como “Corcovado” e “Garota de Ipanema”. O disco, entretanto, ficou um ano esperando para ser lançado, devido à saturação de lançamentos de bossa nova nos Estados Unidos.

Tião Neto chegou a dizer, antes do lançamento, que esse seria o melhor disco de bossa nova gravado até então[40].

Ainda nesse ano, João foi homenageado por diversos jazzistas e pelo cantor Jon Hendricks, que gravou o disco Salud! João Gilberto – Originator of the Bossa Nova e, ao escutar as gravações de João, teve uma grande lição de canto.

Apresenta-se com Getz no Canadá.

Um ano depois da gravação, 1964, é lançado Getz/ Gilberto no mercado. O sucesso é imediato. Logo começa a ser louvado por críticos, músicos de jazz e aclamado pelo público, que faz dele o segundo álbum mais vendido do ano[41]. No ano seguinte, o disco concorre em nove categorias e vence 4 prêmios Grammy: por melhor álbum do ano (com as estatuetas concedidas a Stan Getz, João Gilberto e ao produtor Creed Taylor), melhor gravação do ano (a versão de “Girl from Ipanema” lançada em compacto, sem a letra em português, e somente com a letra em inglês cantada por Astrud Gilberto), melhor solista de jazz (Stan Getz) e melhor engenharia de som (para Phil Ramone), com Garota de Ipanema[42].

É aclamado como bossa nova verdadeira e é best- seller durante anos, nos Estados Unidos e mundialmente. Atinge as paradas de sucesso na Itália, onde João recebe o mais importante prêmio da crítica musical italiana, por unanimidade[43].

A gravação de Garota de Ipanema chega a ser o single mais tocado nas rádios americanas[41].

Atualidade do disco

Hoje, o disco é um clássico da discografia mundial e mantém-se influente e atual[40]. Gerações de jazzistas americanos foram influenciados por ele.

Em 1999, a National Academy of Recording Arts & Sciences concede ao disco o prêmio Grammy Hall of Fame.

Em 1993, o disco foi relançado em CD na Europa pela gravadora CTI, distribuida pela empresa alemã Zyx Music, dentro da série “Grammy Award Winners”, com a remasterização realizada a partir de fitas do acervo do produtor Creed Taylor que se encontravam em melhor estado de conservação. Por questões jurídicas, o CD teve sua capa modificada e seu nome alterado para “The Girl From Ipanema” (número de catálogo PDCTI 1105-2).

Em 2004, a gravação de Garota de Ipanema do disco foi escolhida pelo Congresso Americano para integrar um acervo da Biblioteca do Congresso Americano por ser cultural, histórica e esteticamente significante para as gerações futuras[44][45]. A música foi escolhida por ter uma melodia facilmente reconhecível em qualquer parte dos Estados Unidos e por ser, portanto, muito popular[46].

Turnê pela Europa

Ainda em 1963, João parte com João Donato, Tião Neto e Milton Banana para a Europa. Primeiro, na Itália, apresentaram-se em Roma, no Foro Italiano. Lá, gravaram também uma série de TV. Parte, depois, para Viareggio, ainda na Itália, para fazer uma temporada na boate Bussola. Nessa boate, João conheceu o bolero Estate, que anos depois João gravaria em disco e transformaria em standart do jazz.

João começa a sentir espasmos musculares na mão direita. A temporada na Itália é encerrada pelo fato e o grupo recusa apresentações na Tunísia. João parte para Paris para se tratar com um famoso médico acupunturista. Lá, já separado de Astrud, João conhece Miúcha, na época estudante. Volta, então, para Nova Iorque.

Cinematografia também

Ele também teve sua carreira cinematográfica, ainda que amadora. Durante anos, andou com filmadoras a tiracolo. Em Nova York, no final dos anos 60, tendo Chico Buarque como diretor, João Gilberto fez o papel de um ladrão de violão num curta-metragem super 8. O filme, de ficção, está guardado na casa de Chico Buarque.

Estados Unidos

De volta para Nova Iorque, João trata os espasmos com médicos americanos em um longo tratamento fisioterápico. João recebe críticas positivas sobre Getz/Gilberto na revista LIFE. O crítico americano Chris Welles cita o violão sincopado e a voz macia e sensual de João como a verdadeira beleza do álbum[43]. Miles Davis diz que João Gilberto pode ler um jornal que soaria bem[43].

No fim do ano, João volta ao Carnegie Hall, desta vez com Stan Getz, concerto que resultou no disco Getz/Gilberto #2. Além disso, João se apresentou em diversos clubes de Nova Iorque, como o Village Vanguard, o Village Gate, Town Hall, e o Bottom Line, além de excursionar em cidades como Washington, Boston, e Los Angeles. Apresenta-se também na Califórnia, em temporada na boate El Matador e no Teatro Santa Monica. O The San Francisco Chronicle de 10/09/1964 publicou um artigo do crítico Ralph J. Gleasonno qual chamava João de extraordinário cantor e violonista, sobrevivente do show business da música americana e centro de gravidade da bossa nova, grande expoente de arte e talento[47].

Brasil

Em 1965, João e Miúcha se casam. Nesse ano, ainda passa rapidamente pelo Brasil, onde se trata com um foniatra, por causa de um problema de voz.

Em 1966, se apresenta três vezes no programa O fino da Bossa, comandado por Elis Regina, na TV Record. Apresentado como astro internacional por Elis, João é ovacionado por uma platéia admirada. Entretanto, ele percebe a ausência de retorno do palco, o recurso usado para o artista se ouvir ao tocar, e para na terceira música[24].

Nessa rápida passagem pelo Brasil, João reclama da nova produção musical que estava sendo feita nacionalmente.

Miúcha e João Gilberto, em Nova York, ainda casados.

Estados Unidos

Ainda nesse ano, nasce, em Nova Iorque, sua filha Isabel, conhecida como Bebel Gilberto. É lançado o disco Getz/Gilberto #2, que possui um verbete no Encyclopedia of Jazz in the Sixties, famosa enciclopédia sobre jazz, de Leonard Feather, na qual João é apresentado como um músico que influenciou profundamente o jazz desde sua chegada aos Estados Unidos[47]. A revista DownBeatcita João como o músico mais influente no jazz dos últimos quarenta anos.

Em 1967, João participa de um programa de TV alemão dedicado a Gilbert Bécaud, sendo o único convidado não europeu. Apresenta-se também no Village Vanguard de Nova Iorque e no Hollywood Bowl de Los Angeles[47].

Em 1968, apresenta-se no Central Park de Nova Iorque e no Bird’s Nest de Washington[48].

João ganha um verbete na enciclopédia italiana Il Jazz, que o trata como uma das mais belas vozes do último decênio e grande artífice da afirmação de uma linguagem musical julgada como uma das mais originais e válidas daqueles tempos[47].

Volta a Nova Iorque, onde se apresenta no Rainbow Grill. Na ocasião, declara ao crítico John S. Wilson, do New York Times, que quando canta, João pensa num espaço claro e aberto, onde se colocam os sons, como se fosse desenhar num papel em branco. Para isso, segundo João, é necessário completo silêncio.

México

Em 1969, João Participa de festivais de jazz em Guadalajara, Guanahuapi, Cidade do México e Pueblo. João passa, então, a morar na Cidade do México. Durante a estadia, apresenta-se na boate Forum, onde faz temporada, e no Museu da Cidade do México, onde recebe um prêmio, o Troféu Chimal.

Em 1970, lança o disco En Mexico, recheado de boleros como “Besame Mucho” e “Farolito” e com arranjos de Oscar Castro Neves. Deste disco, Caetano Veloso cita a canção “O Astronauta” como a descoberta de uma obra-prima que João trouxe à tona[49].

1971 – 1979

Em 1971, faz passagem pelo Brasil, quando grava na TV Tupi um especial com Caetano Veloso e Gal Costa, organizado por Fernando Faro. João cantou sentado no chão e chegou até a jogar pingue- pongue, esporte em que era mestre[24]. As imagens desse especial se perderam num incêndio na sede da TV Tupi, mas aparentemente os fonogramas foram salvos.

Retorno a Nova Iorque

João Gilberto volta a residir em Nova Iorque em 1972. Faz outra temporada no Rainbow Grill, desta vez com Stan Getz, que foi um sucesso[50].

Em 1973, lança o álbum João Gilberto, conhecido como o álbum branco, gravado apenas com voz, violão e uma leve bateria de Sonny Carr. Nesse álbum, João grava sua composição com Jorge Amado. Desta vez, entretanto, retira a letra de Jorge e repete hipnótico e incessantemente o neologismo “undiú”, que dá nome a música. João interpreta a canção com solfejos e violão[51]. Em “Baixa do Sapateiro”, composição de Ary Barroso, João sola a canção ao violão apenas com acordes, descrito por Guinga como um solo ao avesso, de dentro do braço do violão, um passo adiante na história[52]. É curiosa a história em que o baterista Sonny Carr toca as vassourinhas sobre um cesto de lixo de vime[53].

Em 1976, lança o álbum The Best of Two worlds, com Stan Getz e participação de Miúcha. Faz temporada no Keystone Korner, em San Francisco, com Stan Getz.

Em 1977, lança Amoroso e é indicado ao Grammy na categoria Melhor Performance Vocal de Jazz. Lança, pela primeira vez, a canção Estate, do italiano Bruno Martino, que, após a gravação de João Gilberto, torna-se um standart da música mundial, sendo regravado por diversos artistas, como Chet Baker, Toots Thielemans e Michel Petrucciani[54]. O álbum, com arranjos de Claus Ogerman, virou um clássico, marcado pela volta de João às paradas de sucesso do Brasil[55]. João, na época do lançamento, estava encantado com o disco. A captação de som da voz e do violão, o equilíbrio com a orquestra e os arranjos de Claus Ogerman foram muito elogiados[56].

Faz uma temporada de shows no Bottom Line de Nova Iorque. Os shows foram um sucesso de público e crítica[57]. Uma das espectadoras foi Jacqueline Onassis, que declarou para João ser admiradora atenta e antiga[58].

Nesse mesmo ano, João se apresenta no Great American Music Hall, de San Francisco e numa série de shows na boate Roxy, de Los Angeles.

Em 1978, grava um especial televisivo para uma TV holandesa e volta ao Brasil, trazido pela TV Tupi. Causa furor na imprensa com sua chegada em São Paulo. Faz show no Teatro Castro Alves, Salvador, e no Teatro Municipal de São Paulo, onde grava um especial de TV. Volta novamente ao Carnegie Hall, desta vez com Charlie Byrd e Stan Getz, para o Newport Festival in New York.

João Gilberto com Bebel Gilberto, sua filha.

Volta definitiva ao Brasil

Chega ao Rio de Janeiro em 1979, para um temporada de shows, que acabou cancelada por problemas técnicos da casa de espetáculos Canecão.

A última vez que João havia feito um show no Rio foi no show O Encontro, de 1962. João declara que apenas procura o som mais integrado e que está ansioso em tocar no Brasil[59].

Desta vez, volta a residir no Brasil em definitivo.

Em 1980, João grava um especial para a TV Globo chamado João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, que virou disco mais tarde. Gravado ao vivo no Teatro Fenix, do Rio de Janeiro, para a Série Grandes Nomes, batizado sempre com o nome completo do artista.

No repertório apresentado, de Ary Barroso e George Gershwin, a clássicos da bossa nova, com a surpresa da participação especial de Rita Lee em Jou Jou Balangandãs, de Lamartine Babo. O show teve acompanhamento da Orquestra da Rede Globo, com arranjos de João Donato, Dori Caymmi, Guto Graça Mello e Claus Ogerman.

João grava também uma participação especial no disco de Miúcha.

Álbum Brasil

Em 1981, João lança o disco Brasil, com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. O disco tem João Gilberto como guia, “mestre” – como colocou Sérgio Vaz em uma coluna no Jornal da Tarde[60] – sua voz é seguida pelas de Gilberto Gil e Caetano Veloso, em uníssono, parecendo três vozes de João. Maria Bethânia, quando aparece, canta de uma forma que jamais cantou: não há gritos, gemidos ou drama, apenas há o canto[60]. O disco foi bem recebido pela crítica.

Em 1982, João grava “Brazil com S”, uma participação especial no disco de Rita Lee, “Rita Lee e Roberto de Carvalho“.

Faz concertos no Teatro Castro Alves e grava um especial na TV Bandeirantes chamado “João Gilberto: A arte e o ofício de cantar”, com participação de Ney Matogrosso[61].

Em 1983, João se apresenta no Festival de Águas Claras, em São Paulo.

Faz concerto em Roma, para o Festival Bahia de Todos os Sambas, exibido pela TV RAI.

Em 1984, João faz uma temporada no Coliseu dos Recreios, de Lisboa.

Em 1985, participa do 19° Festival de Jazz de Montreux , na Suiça.

Em 1986, chega ao Brasil a gravação em disco da participação no Festival de Jazz de Montreux.

João grava Me Chama, de Lobão, para integrar a trilha sonora da novela Hipertensão. Lobão diz que recebeu ligações de João para a aprovação da execução, além de ter de explicar o estado emocional quando da composição. Lobão inicialmente se irritou com a supressão do verso “nem sempre se vê mágica no absurdo”, mas achou a execução maravilhosa[62].

Em 1987, João é agraciado com a comenda da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, no grau de comendador, pelo Tribunal Superior do Trabalho.

Em 1988, João cancela shows no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Sofre com a incompreensão da imprensa.

Em 1989, João recebe uma indicação ao ‘ ‘Grammy’ ‘ na categoria Melhor Performance Vocal de Jazz, pelo disco “’ ‘Live in Montreux’ ‘”.

Anos 90

Em 1990, grava um especial no disco de Maria Bethania, dividindo, apenas com voz e violão, a faixa Maria/Linda Flor[63].

É lançado, nos Estados Unidos, o CD ‘ ‘The legendary João Gilberto’ ‘, coletânea dos três primeiros LPs de João gravados na Odeon, que resultou num processo contra a EMI.

Álbum João

Em 1991, é lançado o CD João. No repertório, velhos sambas como Ave Maria no Morro, de Herivelto Martins, Palpite Infeliz, de Noel Rosa, e Rosinha, composição do amigo Jonas Silva, ex- crooner dos Garotos da Lua, que saiu para dar lugar a João, no início dos anos 50. O disco marcou a gravação de canções de outras línguas: inglês (You Do Something for Me, de Cole Porter), italiano (o bolero Malaga, de Fred Bongusto) e francês (Que Reste-t-il de Nous Amours de Charles Trenet)[64]. O disco foi gravado apenas com voz e violão, para a posterior adição dos arranjos de orquestra feitos por Claire Ficher. João ainda gravou o primeiro videoclipe da carreira: Sampa, de Caetano Veloso. Gravado em locações como o Estádio do Pacaembu, bairro da Liberdade, Jóquei Clube de São Paulo e o Viaduto do Chá, o clipe mostra o carinho que João tem pela cidade de São Paulo.

Comercial da Brahma

Nesse mesmo ano, João grava um ‘ ‘jingle’ ‘, chamado Bossa Nova nº1, para a Brahma. Com produção sofisticada, o comercial foi gravado no Teatro Municipal de São Paulo, com direção de Walter Salles e foi acompanhado por uma série de eventos da Brahma. João recebe acompanhamento de orquestra, sob regência de Eduardo Souto Neto[65].

Em 1992, João se apresenta no Parque Ibirapuera, em São Paulo, junto de Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Rita Lee, em ocasião do aniversário da cidade.

Reencontro com Tom Jobim

Desde 1962, no show no restaurante Au Bon Gourmet, “O Encontro”, Tom e João não faziam um show juntos. Fazia, portanto, 30 anos que não se apresentavam juntos. Quando foi anunciado um show com os dois maiores expoentes da música popular brasileira na época, o fato foi colocado como o evento cultural do ano de 1992 pela mídia[66].

Chamado de Show Número 1[67], ainda ligado à série de eventos patrocinados pela Brahma, como o comercial produzido no ano anterior. João faz show no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com participação especial de Tom, e João participa como convidado do show de Tom no Palace, de São Paulo.

No Teatro Municipal carioca, João fez um show recheado de velhos sambas como Sem Compromisso, Morena Boca de Ouro, Ave Maria no Morro[66]. Ao entrar no palco, João foi ovacionado por dois mil convidados da Brahma, patrocinadora do show[66].

O show foi um grande sucesso, e virou um especial de fim de ano na TV Globo, com direção de Walter Salles Jr. e recuperação de imagens históricas dos anos 50 e 60, como do famoso concerto no Carnegie Hall em 1962[67].

Várias edições deste especial de TV, exibido pela Rede Globo em 29 de dezembro de 1992, foram lançadas em DVD na Europa e no Japão com os títulos de “O Grande Encontro” e “João & Antonio – Show Nº1”. [carece de fontes?]

Trechos do especial de TV também foram utilizados no documentário “Bossa Nova – Music & Reminiscences”, dirigido por Walter Salles Jr.[carece de fontes?]

O especial “João & Antonio” também serviu como inspiração para a série “Minuto da Bossa”, exibida pela Rede Globo em 1992, com direção de Walter Salles Jr. e narração de Caetano Veloso, incluindo material não aproveitado no especial por questões de limitação de tempo.[carece de fontes?]

Em 1993, João Gilberto fez concerto no Teatro Castro Alves, Salvador, com Gal Costa e Maria Bethânia como convidadas.

Em 1994, apresenta-se no Palace, São Paulo, que resultou no disco “Eu Sei que Vou te Amar”, gravado ao vivo, e no especial para a TV Cultura, Especial João Gilberto.

Em 1995, João, junto de Caetano Veloso, Gal Costa, Astrud Gilberto, família Caymmi, Herbie Hancock, Sting e outros artistas[68], participou de homenagem a Tom Jobim no Avery Fisher Hall, localizado no Lincoln Center de Nova Iorque. O tributo teve presença do então presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso[69][70]. Os ingressos do show acabaram em apenas um dia de vendas, e consta que, no mercado negro, comprava-se o ingresso por três mil dólares[71].

Em 1996, participa do Festival de Jazz de Umbria, em Perugia, Itália e apresenta-se em Veneza.

Em 1997, faz um especial para a TV Bandeirantes em uma temporada no Tom Brasil, São Paulo. Apresenta-se em Buenos Aires, onde recebe as chaves da cidade e o título de cidadão ilustre.

Em 1998, volta a se apresentar no Carnegie Hall, em ocasião da 26ª edição do JVC Festival.

“João Gilberto é o homem mais cool do mundo.”

Apresenta-se na Europa, onde faz shows em Turim, Roma, Ferrara e participa, como convidado especial, das apresentações de Tony Bennet e Caetano Veloso no Festival de Jazz de Umbria.

Em 1999, fez três concertos em Buenos Aires, pela primeira vez se apresentando com Caetano Veloso[73].

Ainda esse ano, João Gilberto se apresenta no Credicard Hall, de São Paulo, inaugurando-o. O show teve grande repercussão negativa, com problemas de som, reclamações de João e vaias[74].

João Voz e Violão

Em 2000, João Gilberto lança João Voz e Violão. Ao ouvir o resultado, João, que preferiu o disco sem mixagem, chegou a dizer que teve a alma gravada ali. Percebe-se o arranhar das cordas do violão, a percussão sutil da pronúncia dos fonemas e a controladíssima respiração. O disco, tratado como já clássico à época do lançamento[75], apresenta novas harmonias para Desafinado e Chega de Saudade, tratados como superiores em relação às antigas gravações, segundo Nelson Motta[76], entre resgates de antigos sambas e composições recentes dos amigos Caetano Veloso e Gilberto Gil, sugeridas por Caetano, entre outras canções, num clima intimista de voz e violão. Em sua eterna busca pela perfeição, João mostra neste disco, mesmo aos 68 anos na época da gravação, que ainda tinha muito a ensinar sobre a exploração da célula rítmica da música, técnica vocal, controle de respiração e exercício interpretativo[77]. Na foto de capa, está a atriz Camila Pitanga. O disco teve arranjos feitos pelo maestro Jaques Morelenbaum, mas as orquestrações acabaram fora do disco, permanecendo somente a voz e o violão[77][78]. A crítica americana declarou ser este disco como uma joia[79].

À época da gravação, discutiu-se outro projeto: regravar os três primeiros discos – Chega de Saudade, O Amor, o Sorriso e a Flor e João Gilberto (1961) -, com os mesmos arranjos de Tom Jobim. A Universal havia concordado com o projeto e João já tinha escolhido uma série de convidados para as gravações, como Ivete Sangalo[77].

Volta ao Carnegie Hall, a São Paulo, Barcelona, Londres, Milão e Recife. Chega de Saudade (78rpm) entra no Grammy Hall of Fame.

Em 2001, João recebe outro prêmio Grammy, na categoria Melhor Álbum de World Music, pelo disco João Voz e Violão[62]. A imprensa brasileira achou injusto o prêmio, dizendo que João merecia participar de indicações mais nobres.

Apresenta-se em Paris, em duas performances no Olympia, lotados, principalmente de jovens. A França vivia mais uma explosão de bossa nova, desta vez fruto da música eletrônica[80]. Enlouqueceu o público ao tocar Que Reste-t-il de nos Amours. Com frequência, em seus shows, João Gilberto homenageia a cidade em que se apresenta. Em São Paulo, sempre toca Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa; em Portugal, para delírio do público, apresentou Casa Portuguesa; em Recife, toca Recife, Cidade Lendária.

Na ocasião do seu aniversário de setenta anos, João recebe homenagem de vários veículos de comunicação do Brasil.

Apresenta-se na 22ª edição do Festival Internacional de Jazz de Montreal, no Canadá.

João recebe do Itamaraty a Ordem de Rio Branco, no grau de comendador.

Em 2002, lança o CD “Live at Umbria Jazz, gravado em 1996.

Em 2003, recebe o Premio della Critica Heineken na Itália.

Conquista do Japão

Primeira turnê – 2003

Em setembro de 2003, pela primeira vez, João faz shows no Japão, passando por Tóquio e Yokohama, totalizando quatro performances com quase vinte mil ingressos a disposição do público, que se esgotaram três meses antes das apresentações. Em sua primeira apresentação, no Tokyo International Hall, João relatou que tocar para o público japonês foi uma experiências que ele procurava fazia décadas[81][82]. No seu último concerto, João recebeu uma sessão de aplausos de 25 minutos ininterruptos do público japonês, no dia 16 de setembro[83]. Nesse dia, um fato curioso: ao final do show, João abaixou a cabeça e fechou seus olhos durante 20 minutos. Ao final, se levantou e agradeceu a plateia, dizendo ter beijado cada mão, cada coração presente ali[81]. O sucesso da turnê japonesa foi comemorada com entusiasmo pelo próprio João[84].

As apresentações de João Gilberto provocaram um boom de bossa nova no Japão. As gravadoras relançaram diversos discos de João especialmente para o mercado japonês, como Getz/Gilberto, João Voz e Violão e o gravado no México, além de diversas coletâneas. Artistas populares japoneses gravaram CDs em homenagem a João. Todas revistas especializadas em música reservaram páginas elogiosas a João Gilberto, tratado como lenda viva da música universal, criador da bossa nova, o mestre brasileiro mais respeitado no mundo todo, prestígio que João não desfruta no Brasil.

Em 2004, é lançado, pela Verve Records, o CD João Gilberto in Tokyo, gravado ao vivo durante a segunda apresentação no Japão[81]. O disco foi bem recebido pela crítica brasileira[83], num álbum recheado de regravações, mas que nunca são apresentadas iguais, isto é, são redesenhadas, num processo de desenvolvimento e busca infinita[85].

Nesse ano, nasce sua terceira filha, Luiza Carolina, com Claudia Faissol.

Segunda e terceira turnês ao Japão

Em 2004, faz mais uma turnê pelo Japão. Desta vez, recebe trinta e oito minutos de aplausos ininterruptos[20] em seu show em Osaka.

Em 2005, João recebe a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura.

Em 2006, faz nova turnê pelo Japão, onde homenageou o país com uma composição “Je Vous Aime, Japão“. Mais uma vez, os shows têm os ingressos esgotados[86]. Nessa turnê, anunciou-se o lançamento de um DVD ao vivo da performance de João no Japão. Entretanto, o DVD foi vetado por vontade do artista, que não achou o show bom para ser gravado[87].

Em 2007, em votação popular da revista DownBeat, João é escolhido um dos melhores cantores de jazz.

50 anos da bossa nova

Em 2008, em ocasião dos cinquenta anos da bossa nova, uma série de comemorações começaram. João se apresentou em São Paulo, no Rio, em Salvador e no Carnegie Hall. Seus shows tiveram a venda de ingressos esgotada em poucas horas[88]. Seus shows foram reverenciados pelo público e elogiados pela crítica, mostrando que, aos 77 anos, João ainda era moderno[89]. Em seu show no Rio de Janeiro, contrariando as lendas que o entornam, João, com extremo bom humor, cantou acompanhado da plateia[90].

João Gilberto gravou em 2005 um comercial para a Vale do Rio Doce[91] em parceria com a agência África[92], exibido no segundo semestre do ano de 2008, em caráter nacional, nos intervalos do Jornal Nacional, da TV Globo. Com narração de Fernanda Montenegro[93] e composição de Nizan Guanaes[94], a propaganda propõe uma homenagem ao povo brasileiro.

Em 2009, a revista DownBeat, tratada como uma das publicações de jazz mais respeitadas do mundo, elege João como um dos 75 melhores guitarristas da história do jazz e como um dos cinco maiores cantores de jazz[95][96].

Em 2011, Claudia Faissol, produtora e mãe da filha mais nova de João, perdeu algumas imagens que fez do músico durante doze anos. O Ministério da Cultura (MinC) da época foi acionado para ajudar na conservação das imagens, tendo prometido um técnico da Cinemateca Brasileira, mas as trocas de ministros atrapalharam o processo[97][98].

Ainda nesse ano, foram lançados, sem autorização, na Inglaterra, a trilogia sagrada da bossa nova – os três primeiros discos de João -, que estão fora de circulação devido ao processo com a EMI. Uma gravadora inglesa, amparada pela legislação europeia, vem lançando os discos[99].

Processo contra a EMI

Em 1987, a EMI, detentora do acervo da antiga gravadora Odeon, lançou, sem autorização de João Gilberto, uma coletânea (um LP duplo e um CD simples) que reunia os três primeiros LPs de João (“Chega de Saudade”, “O Amor, o Sorriso e a Flor”, “João Gilberto”) e o compacto “João Gilberto cantando as músicas do filme Orfeu do Carnaval”, conhecido também como em um único álbum, batizado de “O Mito” no Brasil e de “The Legendary João Gilberto[100]. Além da falta de autorização, a EMI, segundo João, adulterou a sonoridade das gravações e alterou a ordem das faixas[100]. Em 1992, João Gilberto entrou com uma ação por danos morais e materiais contra a multinacional britânica, alegando “fim da sequência harmônica” das faixas e defeitos na remasterização[15]. Desde então, seus primeiros discos, considerados de importância impar para a história da música popular brasileira, não se encontram mais nas prateleiras das lojas.

Em 1999, Paulo Jobim foi designado pela 28ª Vara Cível do Rio de Janeiro como perito para a comprovação das alegadas mixagens de som feitas pela EMI. Em seu laudo técnico, Paulo afirma que a EMI “mutilou” e “deformou” a voz de João Gilberto, “amesquinhou” a obra e “literalmente cortou” parte de faixas. Houve ainda adição de reverberação, adição de eco estéreo nas faixas que originalmente eram mono e equalização para realçar as frequências agudas da bateria e da orquestra em todas as faixas, dado fornecido pelo próprio perito indicado pela gravadora. Paulo Jobim ainda afirma que as matrizes originais dos discos possuíam excelente estado de conservação, não havendo a necessidade de alguma alteração no som. Aderbal Duarte, estudioso da obra de João Gilberto, testemunha do músico no processo, diz que João já pensa nas alturas da voz e do violão ao gravar, fazendo o som já sair mixado[15].

Em 2000, Caetano Veloso foi indicado pela defesa para apresentar um laudo crítico. Ele afirmou que as adulterações causam prejuízo a obra de João Gilberto, que teve radical preocupação pela excelência da qualidade do som e com rigoroso e delicado acabamento nas gravações, provocando claramente dano moral. Além disso, ao trazer três discos em um só CD, a gravadora contribuiu para a redução de um terço do valor comercial do produto oferecido, o que provoca dano patrimonial. Caetano ainda mostrou como a própria EMI declarou que não poderia fazer as equalizações sem a permissão de João. Nas palavras de Caetano, “por essas falhas gritantes da Ré (EMI), João Gilberto sofreu e continua sofrendo incalculáveis prejuízos”[101].

Por outro lado, a remasterização da EMI recebeu prêmios internacionais e teve boa aceitação da crítica especializada, o que, supostamente, atestaria sua qualidade[102][103].

Em decisão de primeira instância, a juíza Maria Helena Pinto Machado Martins negou o pedido da defesa de danos morais e rejeitou o fim da comercialização dos discos, apontando que João Gilberto tinha uma “sensibilidade extremada”[15]. “Mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral”, como afirmou a juíza. Ela, por outro lado, condenou a EMI a pagar royalties sobre a obra de João, além de indenização por uso da música Coisa Mais Linda em um comercial do O Boticário. Os advogados de defesa recorreram da decisão, que acabou indo para o Superior Tribunal de Justiça (STJ)[104][105][106].

Em 2008, houve um início de conversa entre as partes. A EMI trouxe um técnico dos Estados Unidos para acompanhar o músico na audição das masters, ou matrizes, dos discos. João Gilberto, no entanto, não reconheceu essas másteres como as originais, culminando no fim das conversas[107]. Claudia Faissol pediu ajuda ao Ministério da Cultura, à presidente Dilma Roussef e ao Itamaraty, por meio de um documento denominado “Memorial João Gilberto”, assinado pelo próprio músico, mas, oficialmente, o governo brasileiro preferiu se manter distante da questão[97]. As informações são desencontradas, João Gilberto afirma que as matrizes apresentadas não são as originais, e a informação apresentada na imprensa são imprecisas quanto a localização das másteres, ora se fala que estão na Inglaterra, ora se fala que estão no Brasil[108]

Em 2011, o STJ decidiu, por maioria de votos, que a EMI deveria pagar uma indenização por danos morais a João Gilberto. O ministro relator Sidnei Beneti, em extenso e detalhado voto, concluiu que não se tratava de dano moral comum, mas ofensa ao direito moral do autor, que pode recusar modificações na obra, mesmo se o trabalho receber prêmios[103], é como se uma editora acrescentasse sem autorização do autor um parágrafo a uma nova edição de um livro. À época do julgamento, o ministro Beneti lamentava a falta de acordo no caso e a ausência de circulação para o público dos discos clássicos da música brasileira.[102]. Em entrevista, a advogada da EMI no Brasil, Ana Tranjan, afirmou que as tentativas de acordo não passaram de fases embrionárias de conversa e que, pela proximidade do desfecho do caso na justiça, não houve prolongamento das conversas[109].

O processo – ainda sem desfecho – tem grande importância para o direito autoral no Brasil. A decisão final do processo terá consequências em vários processos ainda em tramitação e em milhares de discos produzidos aqui, pois discute-se a possibilidade de modificação da obra para relançamento. Coloca-se na balança o direito da humanidade em ter acesso a produção cultural e o direito do autor de preservar sua obra, define-se o alcance do direito moral do autor sobre sua obra. O ministro Sidnei Beneti lembra que o processo é inédito no Brasil[102].

Em 2013, a 2ª Vara Civil do Rio de Janeiro decidiu conceder uma liminar obrigando a EMI a devolver a João Gilberto as matrizes dos LPs e do compacto do processo. A juíza Simone Dalila Nacif Lopes, em sua decisão, mostrou a urgência em se dar a oportunidade do músico de 81 anos poder se debruçar sobre essas obras e atualizá-las[110]. Logo após essa decisão, Ruy Castro, em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, demonstrou empolgação com um possível relançamento, apesar de prever uma derrubada da liminar da justiça[111]. Poucos dias depois, o juiz Sérgio Wajzenberg, da 2ª Vara Cível do TJ-RJ, decidiu que a liminar seria mantida, assim como a obrigação de devolução das matrizes para João[112]. Em decisão de segunda instância, o desembargador André Gustavo Correa de Andrade, do TJ-RJ, mostrou-se preocupado com o fato de João Gilberto não ter apresentado garantias de conservação adequada das másteres, deixando novamente o material em posse da EMI[113]. Dias depois, os advogados de João apresentaram as condições técnicas necessárias para manter as matrizes das gravações, levando o desembargador a mudar a decisão[114][115]. As másteres já se encontram em posse do músico[116].

Marcelo Gilberto, primeiro filho do músico, afirma que as supostas másteres entregues a João Gilberto são, na verdade, cópias das verdadeiras, sendo que apenas o disco Chega de Saudade pode ser verdadeiro. Acredita-se que a gravadora EMI pode ter perdido as fitas originais. O advogado da EMI, por outro lado, afirma ser original todo material entregue a João[117].

Técnica

Inovações

Em sua estreia no 78 rpm Chega de Saudade, João Gilberto começou uma revolução na música popular brasileira. Munido apenas de voz, violão e da canção Chega de Saudade, mudou o rumo da música brasileira e fincou seu nome na história cultural do Brasil e do mundo.

Com a introdução do microfone e do amplificador no Brasil, João Gilberto percebeu que a fonte sonora não precisaria emitir o som intensamente, no âmbito da voz e do instrumento, o que favorece as interpretações sutis e interiorizadas[118]. Por outro lado, na época das primeiras gravações da bossa nova, o Brasil ainda não possuía um equipamento de fidelidade suficiente para a reprodução de sonoridades mais complexas. Por esse motivo, João, juntamente com Tom Jobim, seu primeiro arranjador, elaboraram harmonias complexas, sob influência da música norte-americana, e, ao mesmo tempo, simplificavam a sonoridade geral, por causa da limitação dos equipamentos. Os gestos, tão antagônicos, entretanto, se aliam, para buscar o núcleo vital da canção[118].

João inova na gravação do Chega de Saudade ao pedir dois microfones, um para a voz e outro para o violão. O motivo é óbvio, apesar de choque que causou nos produtores do disco. Até então, gravava- se com apenas um microfone, com destaque para a voz em detrimento do violão. Além disso, é da própria natureza acústica do violão ficar restrito, em termos de volume de som, com qualquer instrumento de orquestra ou com o piano[118]. Com a voz, o violão pode concorrer de igual, se a voz se manter numa intensidade natural, pois com qualquer elevação de volume da voz já há um encobrimento do violão. Desse modo, é necessário a emissão da voz num volume próximo a da fala comum[118]. Com João Gilberto, voz e violão se mantém em igual intensidade de volume, com os microfones captando por igual ambas fontes sonoras e, em caso de necessidade, a alteração de volume de ambas seria em igual proporção[118].

Para Caetano Veloso, João inovou ao sugerir uma linha mestra do desenvolvimento do samba com origem no samba-de-roda do recôncavo baiano e maturação no samba urbano carioca[119].

Harmonia

O tratamento harmônico da música de João Gilberto é concebido exclusivamente para o violão[118]. No LP Chega de Saudade, por exemplo, a participação da orquestra acontece apenas em termos de pontuações ou fraseados breves, em algumas ocasiões[118]. Nos encadeamentos, ou ligações, harmônicos, João cria as dissonâncias tonais na sua mão esquerda, sobre o braço do violão, na construção dos acordes[118].

Em regravações de antigos sucessos, João Gilberto se caracterizou pela completa alteração da harmonia original, refazendo-a.

Ritmo

Quanto ao ritmo, que está ligada a mão direita de João, a batida tem influência tradicional do samba[118]. Ao tocar em acordes, e não em arpejos, João dá ritmo ao violão, de forma que coloca uma bateria de escola de samba em miniatura nas seis cordas de seu violão[120]. Entretanto, João Gilberto retira a obviedade da marcação do tempo forte, caracterizado no samba pela marcação periódica do surdo[118], num processo chamado por Walter Garcia como o “esfriamento” do samba. Por outro lado, João a deixa subentendida nos impulsos de toque médio[118], isto é, nos dedos indicador, médio e anelar. Essa síncope, ou acentuação do tempo fraco do samba, cria tensão à música, um impulso rítmico maior[121]. João Gilberto possui domínio absoluto sobre o ritmo[72] e sempre foge da obviedade, da regularidade[121]. Essa batida rompeu com a cadência do samba “quadrado”, criando possibilidades harmônicas, antes impossíveis[60]. Desse modo, João pode atrasar ou adiantar o ritmo com sua batida compacta, forma que modernizou o samba[60]. A voz também tem um função rítmica. Ela colabora com a percussão, atraindo ou retardando, sublinhando o ritmo pela ausência[120], ou com técnicas vocais. No pulso do João, a oposição entre tempo forte e fraco é relativizada pelo bordão[122]. João também mudou a forma do baterista tocar, trocando as duas vassourinhas ou duas baquetas por uma vassourinha e uma baqueta, cada mão com divisão diferente[123].

 

Texto

João Gilberto se caracteriza por priorizar a sonoridade do texto, em detrimento da sua semântica[118]. A ausência de tensões semânticas é percebida na sua escolha de repertório, com canções lírico-amorosas sem tensividade passional, como Chega de Saudade, canções quase infantis, como O Pato e Lobo Bobo, e suas próprias composições, como Bim Bom[118]. João se preocupa (preocupação esta tão comum no meio erudito) de tal forma com os detalhes do texto das canções que canta, valorizando excessivamente as unidades musicais da canção, que ele mexe, altera, traduz idiossincraticamente os detalhes de duração, frequência, intensidade e texto, quando omite, acrescenta ou muda trechos ou palavras, das canções, mudando o efeito, mas não a essência e a identidade da canção[118]. Tanto isto é verdade que é muito comum o compositor se sentir lisonjeado por uma gravação de João, como Caetano Veloso com Sampa, que João alterou para gravar. João Gilberto é um recompositor[118], um cancionista-intérprete, sendo aquele que não executa o que o compositor criou, mas o que executa o que o compositor deixou de criar[118]. Para João, a letra tem a mesma importância da melodia e do ritmo, deslocando-se do senso comum que valoriza a letra[52], por isso que, se a letra exerce um papel extramusical na canção, é logo rejeitada, alterada ou suprimida por João[124].

Canto

“Ele pode até ler jornal que soa bem.”

Essencial para o estilo criado por João, seu canto é outra marca da batida da bossa nova. Como já mencionado, João, com o uso do microfone, dispensa o excesso e cria um estilo apropriado para o uso do violão, com a emissão de voz próxima a da fala corriqueira[118], limpa e enxuta, como a voz de Dorival Caymmi[126]. Sua dicção é impecável e sem um resquício de sotaque baiano[124]. A integração voz e violão formam um todo, um único. Por vezes, João usa a voz como instrumento, adiantando ou atrasando o fraseado em relação ao violão[60] em uma decidida e precisa imprecisão, caindo em várias posições rítmicas[120], mas nunca prejudicando o balanço da canção. Em uma entrevista a Tárik de Souza, João declarou ser fã de Orlando Silva pelo fato dele “falar as frases com naturalidade e não exagerar em nenhum ponto da música”, mostrando a essência do canto joãogilbertiano: o saber falar e a naturalidade da emissão, fugindo dos excessos em qualquer ponto da música[124]. É importante frisar que, retirando excessos, João permite que a letra da canção crie emoção a partir da sua própria construção, fugindo da emoção criada por artífices vocais, enriquecendo, naturalmente, a canção. Entre as várias técnicas que usa, estão entre elas a ausência de vibratos, que conferem peso emocional à interpretação, mas que muito raro é utilizado de modo muito discreto[122]; a retirada do forte e do fortíssimo da dinâmica; o complemento harmônico da voz e do violão, ou seja, a voz emite uma nota que não se apresenta no acorde do violão, complementando-o; o rubato, retardando sílabas e frases, deixando o violão seguir adiante para, depois, alcançá-lo, ou então antecipa-se, emendando versos, para depois aguardar a chegada do violão[127]; o legato, como Orlando Silva[128], derrubando assim o mito de que ele canta como Mário Reis, que, apesar de cantar suave, não utiliza o legato, mas o staccato, que é a “quebra” do fraseado, ou seja, canta as sílabas em separado, com um silêncio entre os fonemas, em células de tamanho quase igual, e João, por outro lado, estende ou diminui, junta as notas, em longas frases que sustenta graças as técnicas de respiração iogue. Sua afinação é absolutamente precisa, mas nem sempre foi considerado assim, visto do estranhamento revolucionário causado pelo seu canto à época da apresentação do novo estilo. João Gilberto também se utiliza da voz para criar ritmo à música. Com técnicas comuns nos conjuntos vocais dos anos 40 e outras criadas pelo próprio João, sua música se enriquece. O objetivo de João é encontrar o ponto em que se consiga falar com perfeição para que a melodia brote naturalmente da palavra, através da adequada inflexão e “cor” exata de cada sílaba[122].

Criação

“Não se pode machucar o silêncio, que é sagrado.”

João Gilberto é um artesão diletante de suas músicas[129], em eterno “estado febril” de criação[78], que opera dentro de rigorosos limites autoimpostos, sem ostentação de voz, velocidade, enfeites[72]. Passa horas, dias ou meses recompondo – em termos de ritmo, harmonia e melodia – uma canção que ouviu durante a vida, indo de sambas a boleros, em português, inglês, italiano ou francês. Considerado um recompositor[118], João justifica sua diminuta obra autoral dizendo que “há tanta coisa bonita a ser consertada”.

Nesse processo de maturação da canção, João Gilberto busca todas as possibilidades harmônicas e rítmicas da música em que está trabalhando. Subtrai notas, altera o andamento, introduz silêncios, junta versos e muda palavras, resultando em algo distante do original. João torna a canção mais direta e clara. Um exemplo é a canção Lígia, de Tom Jobim, em que João simplesmente retira o nome da musa inspiradora da canção, evitando assim um derramamento, uma tensão emocional, que haveria se a chamasse em altos brados[20]. Existe, por isso, grande entusiasmo ao ouvir João cantando uma música conhecida pela primeira vez: não se sabe o que virá[130]. João se preocupa obsessivamente com um nível de acabamento muito maior que o exigido pelo mercado, o que o torna mais que profissional[122]

Desde o início de sua carreira, João buscou o passado da música popular para sensibilizar o presente. Retrabalhou, logo no primeiro disco, Rosa Morena, de Dorival Caymmi, e É Luxo Só e Morena Boca de Ouro, antigos sucessos de Ary Barroso. Essa busca pelo passado se notabilizou durante toda sua carreira, em canções de compositores como Janet de Almeida, Herivelto Martins, Noel Rosa, Bororó, Geraldo Pereira, Wilson Batista, Lamartine Babo, etc[60]. Essa busca caracteriza-se pelo critério existencial do próprio João: a maioria dessas canções ele ouviu durante a infância em Juazeiro, Aracaju, ou na juventude em Salvador e no começo de carreira no Rio.

Percebe-se na arte de João Gilberto em projeto nacional, uma aspiração do que o Brasil poderia ser[60]. Utilizando-se do samba, rompeu com toda estrutura da canção brasileira[131].

Influências

No canto, em sua divisão rítmica, João Gilberto declara publicamente a influência que teve de Orlando Silva, que considerava o maior cantor do mundo. O uso de acordes soltos remete à mão esquerda de Johnny Alf ao piano[13]. O violão de Dorival Caymmi também influenciou a criação de João, que ainda buscou juntar o samba, a tradição musical nordestina e o jazz[52].

Segundo Jon Pareles, os vocais suaves de Chet Baker e os acordes de Barney Kessel estão presentes no estilo de João[72]. O cool jazztambém está presente nas harmonias da bossa nova.

Legado

“Quaisquer que sejam as novas direções de nossa música nova, não nos esqueçamos da lição de João.”

É difícil encontrar na história da música algum movimento que é atribuído a um nome. João Gilberto fez isso com a bossa nova[132]. Apesar da grande importância de Tom Jobim no movimento, João que deu a forma, a possibilidade. Tom Jobim já era um grande compositor e arranjador antes da invenção joãogilbertiana. Entretanto, João também desmontou e reconstruiu Jobim, que assimilou a técnica de João e mudou o jeito de compor e de arranjar, tendo as mais diversas possibilidades criadas, tornando-se um ícone da música mundial, junto com João[133]. Ainda se discute se a bossa nova é um movimento ou um estilo, um momento do jazz ou um capítulo da música popular brasileira[60]. Sabe-se, somente, que João Gilberto é seu pai.

Jobim define o peso de João na música popular na contracapa do seu primeiro LP, Chega de Saudade, “Em pouquíssimo tempo, João Gilberto influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores.”[134]. A revolução de João Gilberto tornou possível o desenvolvimento do trabalho dos músicos modernos, como Jobim, abriu caminho para a nova geração, como Roberto Menescal e Baden Powell, e deu sentido aos músicos talentosos da década de 40 e início de 50, que tentavam encontrar uma forma de modernizar o samba através da imitação da música americana, como Johnny Alf e Dick Farney[135].

No âmbito nacional, qualquer músico brasileiro pós-1958 foi reinventado por João Gilberto. Isto é, João alterou, de forma irreversível, o DNA da música popular brasileira[133]. Muitos se lembram do impacto que tiveram ao escutar João Gilberto pela primeira vez. Gilberto Gil diz que o ouviu no rádio, na Bahia, e que ficou assustado ao ouvir aquele som novo, que causou estranheza nele, mas que logo se tornou paixão absoluta[136]. Caetano Veloso diz que ouviu João pela primeira vez aos dezessete anos, num bar em Santo Amaro, Bahia, por sugestão de um colega de ginásio, que classificou a música como “louca”, de um “sujeito que cantava desafinado”, mas que logo arrebatou Caetano[137]. Com Gal Costa, ao ouvir pela primeira vez na rádio a gravação de Chega de Saudade de João, foi um “impacto profundo e uma atração imediata”, que, apesar de ser, à época, totalmente diferente, estranho e novo, Gal abraçou com paixão. Ela diz que a partir de João reaprendeu a cantar, estudando a emissão vocal de João Gilberto[136]. Roberto Carlos, ao ouvir pela primeira vez João Gilberto, ficou tão fascinado com a música que ficou estático, como em uma revelação[136]. Chico Buarque passava tardes inteiras ouvindo e ouvindo o LP Chega de Saudade, tentando decifrar a batida e as harmonias do violão[136]. João ainda influenciou artistas como Rita Lee, com sua “Bossa’n’Roll”[128]“, Novos Baianos, que tiveram João como padrinho musical e mentor na produção do disco Acabou Chorare[138], Jorge Ben Jor, Cazuza, na canção Faz Parte do meu Show[128]. Atualmente, João é reverenciado por artistas como Fernanda Takai, Max de Castro, Zizi Possi, Fernanda Porto[139].

Internacionalmente, João primeiro conquistou os músicos, e, depois, o público. Junto de Jobim, fez a bossa nova ser escutada nos quatro cantos do mundo.

“A criação original de João Gilberto para o samba, que se internacionalizou com o nome de bossa nova, e que é, até hoje, a contribuição brasileira mais importante à cultura mundial, corre na veia de boa parte da música popular que se faz no mundo. Esse trabalho de transformação do samba e sua consolidação, é obra de uma personalidade artística genial, dessas que surgem de tempos em tempos com uma missão civilizadora heroica. Não é à toa que é qualificado de Mito. Sua trajetória repete a do herói mítico, no combate à banalidade e procura da pureza.”

Entre os grandes jazzistas fãs declarados de João estão Miles Davis, Stan Getz, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespie, Tony Bennet[140], Jon Hendricks, entre outros. A influência de João Gilberto no jazz é consenso entre críticos de música[72]. Atualmente, percebe-se a influência de João em artistas como Stacey Kent e Diana Krall, que teve João como sua primeira referência musical[141] e diz que não se pode ser jazzista sem aprender bossa nova[142]. Fora do jazz, João recebe elogios de famosos como Madonna[143], Jacqueline Kennedy, Eric Clapton, Simone de Beauvoir, Jean- Paul Sartre[144], Bob Dylan, Beck, David Byrne[145], entre outros, chegando a influenciar movimentos como o indie rock e a dance music[72]. Na Europa, João desfrutou de grande sucesso, sobretudo na Itália, onde João fez inúmeros shows e, inclusive, especiais para a TV. Passou também por Holanda, Inglaterra (que, nos anos 80, teve um movimento chamado new bossa com bandas como Matt Bianco, Style Council e Everything But the Girl)[128], França, Portugal, Espanha, Alemanha e Bélgica. João chegou até o Japão, em uma série de shows, onde lotou casas de espetáculos e recebeu aplausos de até 40 minutos ininterruptos do povo japonês.

São vários os gêneros musicais influenciados pelo estilo de João. No Brasil, a Tropicalia, a moderna MPB. Em âmbito internacional, a New Bossa, o Acid Jazz, o Drum’n’Bass[128].

Entre os acadêmicos, João é unanimidade, sendo objeto de estudo de grandes intelectuais como José Miguel Wisnik, Luiz Tatit, Aderbal Duarte, Walter Garcia, Lorenzo Mammi, Edinha Diniz[146]. Para Garcia, João está para a música assim como Guimarães Rosaestá para a literatura, Oscar Niemeyer está para a arquitetura e Pelé está para o futebol[147].

Desmitificando o mito

João Gilberto é uma personalidade controversa. É adorado por muitos, tratado como gênio, e criticado por outros, considerado excêntrico, obsessivo ou meio doido. O cuidado e o perfeccionismo com o som em seus shows sempre são destaque nas páginas de jornais – noticia-se, por exemplo, até mesmo o equipamento exigido por João[148]. Por outro lado, suas apresentações são sempre anunciadas com empolgação na mídia; os críticos de música celebram, e os ingressos acabam rapidamente[148].

Na cultura popular, João Gilberto é um ícone. Recebeu diversas homenagens na música, tanto em âmbito nacional quanto internacional. Tony Bennett se diz um grande fã seu[149]. É requisitado para trilhas sonoras de filmes e produções de tv nacionais e internacionais. Recentemente, um autor alemão publicou um livro tendo João como personagem[150]. É tema de um documentário sobre o processo com a EMI.[151]. Sua figura é tão misteriosa que um perfil fake criado no Facebook conseguiu enganar até mesmo artistas e jornalistas famosos[152][153][154], fato desmentido pelo site oficial do artista[155].

Aos 84 anos, João vive atualmente no Rio de Janeiro, entre o apartamento da rua Carlos Góes, no Leblon, bairro onde mora há décadas,[38]e uma suíte do Copacabana Palace.[156] Dificilmente sai [157] e não recebe visitas, exceto da sua filha Bebel e de sua empresária, Cláudia Faissol, mãe de Luísa, a filha mais nova. Mesmo morando no hotel, ele continua fiel a antigos hábitos. “Pelo menos três vezes por semana ainda pede comida aqui”, diz Sebastião Alves, há 40 anos gerente do restaurante Degrau, no Leblon.[158]

Carreira e Discografia

Álbuns de estúdio

  • Chega de Saudade (Odeon, 1959) LP
  • O Amor, o Sorriso e a Flor (Odeon, 1960) LP
  • João Gilberto (Odeon, 1961) LP
  • Getz/Gilberto (Verve, 1964) LP
  • João Gilberto en México (Orfeon, 1970) LP
  • João Gilberto (Philips, 1970) LP
  • João Gilberto (Polydor, 1973) LP
  • The Best of Two Worlds (CBS, 1976) LP
  • Amoroso (Warner/WEA, 1977) LP
  • Brasil (WEA, 1981) LP
  • João (PolyGram, 1991) CD
  • João Voz e Violão (Universal/Mercury, 2000) CD

Álbuns ao vivo

  • Getz/Gilberto #2 (Verve, 1966) LP
  • João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (Verve, 1966) LP
  • Live at the 19th Montreux Jazz Festival (WEA, 1986) 2LP
  • Eu sei que vou te amar (Epic, 1994) CD
  • João Gilberto live at Umbria Jazz (EGEA, 2002) CD
  • João Gilberto in Tokyo (Universal Music, 2004) CD
  • Um encontro no Au bon gourmet (Doxy, 2015) LP
  • Selections from Getz/Gilberto 76 (Resonance, 2015) LP
  • Getz/Gilberto 76 (Resonance, 2016) LP e CD

Singles

  • Quando Ela Sai (Alberto Jesus/Roberto Penteado)/ Meia Luz (Hianto de Almeida/João Luiz) – (Copacabana, 1952) 78 rpm
  • Chega de Saudade/Bim Bom – (Odeon, 1958) 78 rpm
  • Desafinado/Hô-bá-lá-lá – (Odeon, 1958) 78 rpm
  • Lobo bobo/Maria ninguém – (Odeon, 1958) 78 rpm
  • A felicidade/O nosso amor – (Odeon, 1959) 78 rpm
  • O pato/Trevo de quatro folhas – (Odeon, 1960) 78 rpm
  • Saudade da Bahia/Bolinha de papel – (Odeon, 1961) 78 rpm

EP

  • João Gilberto Cantando as Músicas do Filme Orfeu do Carnaval – (Odeon, 1959) 45 rpm
  • The Girl from Ipanema/Blowin’ in the Wind – (Verve, 1964) 45 rpm
  • Desafinado/Early Autumn – (Verve, 1964) 45 rpm

Coletâneas

  • Bossa Nova at Carnegie Hall (Audo Fidelity, 1962) LP
  • Herbie Mann & João Gilberto (Atlantic, 1965) LP
  • Gilberto and Jobim (Capitol, 1977) LP
  • Interpreta Tom Jobim (EMI/Odeon, 1985) LP
  • Meditação (Emi, 1985) LP
  • O talento de João Gilberto (Emi, 1986) LP
  • O Mito (Emi/Odeon, 1988) 3LP
  • The Legendary João Gilberto (Capitol/World Pacific, 1990) CD
  • Amoroso/Brasil (WEA) CD
  • Millenium: João Gilberto (Universal Music, 1999) CD
  • Best of João Gilberto: Portrait de bossa nova (Universal, 2003) CD
  • For Tokyo (Universal, 2007) CD
  • Brazil’s Brilliant (Doxy, 2012) 3CD
  • The Warm World of João Gilberto – The Man Who Invented Bossa Nova: Complete recordings 1958-1961 (Ubatuqui, 2012) CD
  • The Roots of Bossa Nova (Chrome Dreams, 2012) CD
  • The Boss of the Bossa Nova (Malanga Music, 2012) CD
  • Chega de saudade/O amor, o sorriso e a flor/João Gilberto (Frémeaux & associés, 2012) CD
  • The Bossa Nova Vibe of João Gilberto (NotNowMusic, 2012) 2CD
  • O rei da bossa/The King of the Bossa Nova (Goldies, 2012) 3CD
  • The Legend (Cherry Red Records, 2013) 2CD
  • Bossa Nova Estival (FeelGoodMusic, 2014) CD

Participações

  • Naturalmente (Copacabana, 1957) LP – Elizeth Cardoso (participação de João Gilberto ao violão)
  • Canção do Amor Demais (Festa, 1958) LP – Elizeth Cardoso – participação de João Gilberto nas faixas Chega de Saudade e Outra Vez)
  • O melhor de… Os cariocas (Columbia, 1958) LP – Os cariocas – participação de João Gilberto ao violão na faixa Chega de saudade
  • Este seu Olhar/Meu segredo (Columbia, 1959) 78 rpm – Luiz Cláudio – participação de João Gilberto ao violão na faixa Este seu Olhar
  • Jonas Silva (Radio, 1959) 45 rpm – Jonas Silva (participação de João Gilberto ao violão)
  • José Vasconcelos conta historia de bichos (Odeon, 1962) LP – Vários artistas – participação de João Gilberto na faixa A roupa do leão
  • Miúcha (RCA, 1980) LP – Miúcha – participação de João Gilberto nas faixas All of me e O Que É, O Que É
  • Rita Lee (Som Livre, 1982) Rita Lee e Roberto de Carvalho – participação de João na faixa Brasil com S
  • Hipertensão (Som Livre, 1986) Vários artistas – João Gilberto na faixa Me Chama
  • Maria Bethânia (Philips, 1990) LP – Maria Bethânia – participação de João nas faixas Maria e Linda Flor

Álbuns em tributo

  • Salud! Joao Gilberto, Originator of the bossa nova (Reprise, 1963) – Jon Hendricks
  • Felicidade: Tribute to João Gilberto (EMI, 2003) – Vários artistas
  • Amorosa (Sony, 2004) – Rosa Passos
  • Bim Bom: The Complete João Gilberto Songbook (Independente, 2009) – Ithamara Koorax & Juarez Moreira
  • The Hits of João Gilberto (Cherry Red Records, 2013) – Vários artistas
  • Gilbertos Samba (Sony/BMG, 2014) – Gilberto Gil
  • Silencio: Um tributo a João Gilberto (Coqueiro Verde, 2014) – Renato Braz
  • Gilbertos Samba ao vivo (Sony/BMG, 2014) – Gilberto Gil

Videografia

Vídeos musicais

  • Sampa (Caetano Veloso) (Polygram, 1990)

Especiais de TV

  • O Fino da Bossa (TV Record, 1966) – Convidado de Elis Regina
  • Tribute to Gilbert Bécaud (American Broadcasting Company, 1967) [nota 1][nota 2]
  • Especial: Caetano, Gal e João Gilberto (TV Tupi, 1971)
  • João Gilberto Prado Pereira de Oliveira (TV Globo, 1980)
  • A arte e o ofício de cantar (TV Bandeirantes, 1983)
  • Tom e João – Show Número 1 (TV Globo, 1992)
  • Especial João Gilberto (TV Cultura, 1994)
  • Live at Umbria Jazz (RAI, 1996)
  • Especial João Gilberto (TV Bandeirantes, 1997)
  • João Gilberto e Caetano Veloso (Argentina, 1999)

Jingles

  • Brahma Número 1 (1991)
  • Kellog’s (2005)
  • Vale do Rio Doce (2008)

Filmografia

  • Pista de Grama (Brasil, 1958). Direção de Haroldo Costa.
  • Copacabana Palace (Itália, França, Brasil, 1962). Direção de Steno.
  • Brasil (Brasil, 1981). Direção de Rogério Sganzerla.
  • Bahia de todos os sambas (Itália, 1983). Direção de Leon Hirzman.

Composições

  • Acapulco
  • Bim Bom
  • Coisas distantes (Forgotten Places), com João Donato.
  • Hô-Bá-Lá-Lá
  • Japão (Je Vous Aime Beaucoup?)
  • João Marcelo
  • Minha saudade, com João Donato
  • No corêto (Glass Beads) com João Donato
  • Um abraço no Bonfá
  • Undiú[nota 3] com Jorge Amado.
  • Valsa (Bebel) – como são lindos os Youguis
  • Você esteve com meu bem, com Russo de Pandeiro.

João Gilberto – A tendência pela madrugada

“Não sei nem quanto tempo durmo. É pouco. Todo dia naquela luta. Posso estar muito tempo na cama, procurando o sono, mas não durmo. Vou até horas tardias da madrugada, às vezes já vem até a luz.”

João Gilberto – Fonte: Mensagens de Amor

João Gilberto

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira

(Juazeiro, 10 de junho de 1931)

86 Anos

4 ▒ ACONTECIMENTOS


Lima, capital do Peru.

1834 — O presidente Luis José de Orbegozo promulga a quarta Constituição do Peru.



1999 — A OTAN anuncia o fim dos bombardeios aéreos contra a Jugoslávia, após 79 dias de ataques. A ONU autoriza o movimento da força internacional para Kosovo e a criação de uma administração interina para o território.

5 ▒ FALECIMENTOS

1967Spencer Tracy ▒ Spencer Tracy (Milwaukee, 5 de abril de 1900 – Los Angeles, 10 de junho de 1967) foi um famoso ator de cinema norte- americano. Tracy é descrito como um dos maiores atores da história do cinema dos Estados Unidos. Participou em mais de setenta filmes em três décadas. Juntamente com Laurence Olivier possui o recorde de indicações ao prêmios Oscar de melhor ator.


1886Nair de Tefé ▒ Nair de Tefé von Hoonholtz (Petrópolis, 10 de junho de 1886 — Rio de Janeiro, 10 de junho de 1981), mais conhecida como Nair de Tefé, foi uma pintora, cantora, atriz e pianista brasileira. É notada por ter sido a primeira caricaturista mulher do mundo, e por ter sido primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914, como esposa do marechal Hermes da Fonseca.

2000Rômulo Arantes ▒ Rômulo Duncan Arantes Junior (Rio de Janeiro, 12 de junho de 1957 — Maripá de Minas, 10 de junho de 2000) foi um ator, cantor, músico, compositor, empresário e nadador brasileiro.

Rômulo Arantes participou de três Jogos Olímpicos. Faleceu num acidente de ultraleve no ano 2000, dois dias antes de completar 43 anos.


10 de junho - Ray Charles, cantor e pianista estadunidense

2004Ray Charles ▒ Ray Charles (Albany, 23 de setembro de 1930 – Los Angeles, 10 de junho de 2004) foi um pianista norte-americano, pioneiro e cantor de música soul, blues e jazz.

Considerado um dos maiores gênios da música norte-americana, Ray Charles também foi um dos responsáveis pela introdução de ritmo gospel nas músicas de R&B.

Foi eleito pela Rolling Stone o 2º maior cantor de todos os tempos e 10º maior artista da música de todos os tempos

6 ▒ FERIADOS e EVENTOS CÍCLICOS

Monumento a Luís de Camões em Lisboa.

Dia de Portugal — Oficialmente Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, relembra o falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580 e o Anjo de Portugal. Até ao 25 de Abril de 1974 era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça. ▒ A Revolução de 25 de Abril, também referida como Revolução dos Cravos, refere-se a um período da história de Portugal resultante de um movimento social, ocorrido a 25 de abril de 1974, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, e iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático e com a entrada em vigor da nova Constituição a 25 de abril de 1976, com uma forte orientação socialista na sua origem. Esta ação foi liderada por um movimento militar, o Movimento das Forças Armadas (MFA), que era composto na sua maior parte por capitães que tinham participado na Guerra Colonial e que tiveram o apoio de oficiais milicianos.

7 ▒ TRAGÉDIAS da HUMANIDADE

  • 1924Giacomo Matteotti, deputado e secretário geral do Partido Socialista Italiano, é sequestrado e assassinado por um bando fascista. ▒ Giacomo Matteotti (1885-1924) foi um político socialista italiano. Em 1924, como deputado, formulou no parlamento um discurso em que denunciava, sustentado com provas, a violência fascista que originou a falsificação dos resultados das eleições de abril de 1924.
  • 1940Segunda Guerra Mundial: Benito Mussolini, ditador da Itália, declara guerra à França e à Inglaterra.
  • 1944Segunda Guerra Mundial: a primeira bomba V-1 alemã é lançada sobre a cidade de Londres.

8 ▒ CIDADES ANIVERSARIANTES

Dados do IBGE

10

Alenquer (PA)

10

Americano do Brasil (GO)

10

Figueirópolis (TO)

10

Foz do Iguaçu (PR)

10

Guabiruba (SC)

10

Ivaí (PR)

10

Mundo Novo (GO)

10

Nova Glória (GO)

10

Nova Olinda (TO)

10

Palmeirópolis (TO)

10

Queimadas (BA)

10

Santa Maria do Tocantins (TO)

10

Silvanópolis (TO)

10

Sumidouro (RJ)

10

Taguatinga (TO)

10

Urbano Santos (MA)

10

Vicentinópolis (GO)

Foz do Iguaçu – PR

103 Anos

10 de junho de 1914

http://www.pmfi.pr.gov.br/

Foz do Iguaçu é um município brasileiro do estado do Paraná. Com uma população de 263.915 habitantes, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de agosto de 2016.[9]

A distância rodoviária até a capital do estado é de 643 quilômetros.[3] Sua área é de 617,701 km², dos quais 61,200 km² estão em perímetro urbano.[10]

Segundo artigo publicado pela revista Exame em março de 2014, é o terceiro destino de turistas estrangeiros no país[11] e o primeiro da região sul.

Conhecida internacionalmente pelas Cataratas do Iguaçu, uma das vencedoras do concurso que escolheu as 7 Maravilhas da Natureza[12], e pela Usina Hidrelétrica de Itaipu, a segunda maior do mundo em tamanho e primeira em geração de energia, que em 1996 foi considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis.

A cidade tem uma temperatura média anual de 20,4 °C. A vegetação do município é de Mata Atlântica e cerrado.

Com uma taxa de urbanização da ordem de 99,00%, o município contava em 2009 com 55 estabelecimentos de saúde.

Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,751.

Integra uma área urbana com mais de 700 mil habitantes, constituída também por Ciudad del Este, no Paraguai[13], e Puerto Iguazú, na Argentina[14], países com os quais a cidade faz fronteira.

Iguaçu é topônimo indígena, podendo ser decomposto originalmente em Y (água) e guazú (grande), ocorrendo, por acréscimo de uma vogal, a atual denominação[15].

Seus moradores são designados usualmente pelo gentílico iguaçuenses[16].

Panorama do lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu. Ao fundo é possível ver a passarela do lado argentino – Foz do Iguaçu (PR) – 103 Anos.

História

Primeiros povos e fundação

Pesquisas arqueológicas realizadas pela Universidade Federal do Paraná no espaço brasileiro do reservatório de Itaipu, antes de sua formação, situaram em 6.000 a.C. os vestígios da mais remota presença humana na região; vários grupos humanos sucederam- se ao longo dos séculos. Os últimos que precederam os europeus (espanhóis e portugueses) foram os índios. Em 1542, o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca chegou ao rio Iguaçu e por ele seguiu guiado por índios Caingangues, atingindo as Cataratas e batizando o Paraguai. É registrado como o “descobridor” das Cataratas.

Em 1881 Foz do Iguaçu recebeu seus dois primeiros habitantes: o brasileiro Pedro Martins da Silva e o espanhol Manuel González. Pouco depois chegaram os irmãos Goycochéa, que iniciaram a exploração da erva-mate. Oito anos após foi fundada a colônia Militar na fronteira, marco do início da ocupação efetiva do lugar por brasileiros.

A expedição do Engenheiro e Tenente José Joaquim Firmino chegou a Foz do Iguaçu em julho de 1889. Foi levantada a população e identificadas 324 pessoas, em sua maioria paraguaios e argentinos. Mas havia também a presença de espanhóis e ingleses dedicados à extração da erva-mate e da madeira, exportadas via rio Paraná.

Em 22 de novembro do mesmo ano, o Tenente Antônio Batista da Costa Júnior e o Sargento José Maria de Brito fundaram a Colônia Militar, que tinha competência para distribuir terrenos a colonos interessados.

No ano de 1897 foi criada a Agência Fiscal, chefiada pelo Capitão Lindolfo Siqueira Bastos. Ele Registrou a existência de apenas 13 casas e alguns ranchos de palha. Nos primeiros anos do século XX a população de Foz do Iguaçu chegou a aproximadamente 2.000 pessoas e o vilarejodispunha de uma hospedaria, quatro mercearias, um rústico quartel militar, mesa de rendas e estação telegráfica, engenhos de açúcar e cachaça e uma agricultura de subsistência.

Em 1910 a Colônia Militar passou à condição de Vila Iguassu, distrito do município de Guarapuava. Dois anos depois, o Ministro da Guerra emancipou a Colônia tornando-a um povoamento civil entregue aos cuidados do governo do Paraná, que criou então a Coletoria Estadual da Vila. Em 14 de março de 1914, pela Lei 1.383, foi criado o município de Vila Iguassu, instalado efetivamente no dia 10 de junho do mesmo ano, com a posse do primeiro prefeito, Jorge Schimmelpfeng, e da primeira Câmara de Vereadores. O município passou a denominar-se Foz do Iguaçu em 1918.

O Marco das Três Fronteiras brasileiro – Foz do Iguaçu (PR) – 103 Anos.

Expansão

A estrada que liga Foz do Iguaçu a Curitiba tomou sua primeira forma em 1920. Era precária e cheia de obstáculos. Na segunda metade da década de 1950 iniciou-se o asfaltamento da estrada que cortaria o Paraná de leste a oeste, ligando Foz do Iguaçu à Paranaguá, que foi inaugurada em 1969.

Em 1924 os revoltosos da Coluna Prestes saíram da capital paulista iniciando sua marcha pelo interior do estado na direção sudoeste. Ao ingressar no Paraná, conquistaram muitas cidades fronteiriças ao Paraguai e estabeleceram seu quartel-general em Foz do Iguaçu. Permaneceram até 1925, quando atravessaram o rio Paraná penetrando no Paraguai rumo a Mato Grosso.

A história do Parque Nacional do Iguaçu começa no ano de 1916, com a passagem por Foz do Iguaçu de Alberto Santos Dumont, o pai da aviação.

A área pertencia ao uruguaio Jesus Val. Santos Dumont intercedeu junto ao Presidente do Estado do Paraná, Affonso Alves de Camargo, para que fosse desapropriada e tornada patrimônio público. No dia 28 de julho, através do decreto nº 63, foi declarada de utilidade pública, com 1008 hectares. Em 1939, por decreto do Presidente Getúlio Vargas, a área foi expandida para 156.235,77 hectares.

Em 1994 os decretos nº 6506 de 17 de maio e de nº 6587 de 14 de junho consolidam e ampliam a área do Parque Nacional dando-lhes os limites propostos pelo chefe da seção de Parques Nacionais; hoje os limites atuais são 185.000 hectares.

Com a inauguração da Ponte Internacional da Amizade (BrasilParaguai) em 1965 e inauguração da BR-277, ligando Foz do Iguaçu a Curitiba e ao litoral, em 1969, Foz do Iguaçu teve seu desenvolvimento acelerado, intensificando seu comércio, principalmente com a cidade paraguaia de Ciudad del Este.

A construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, iniciada na década de 1970, causou fortes impactos em toda a região, aumentando consideravelmente o contingente populacional do município, passando de 33.970 habitantes em 1970 para 136.320 habitantes em 1980, registrando um crescimento de 385%. O Censo de 2010 indicou uma população de 256.081 habitantes.

Parque Nacional do Iguaçu – Fotografia aérea do Parque, o lado brasileiro fica à esquerda – Foz do Iguaçu (PR) – 103 Anos.

Geografia

Relevo

Foz do Iguaçu está localizado no extremo oeste do terceiro planalto paranaense, sendo o município mais a oeste do Paraná. O relevo é suavemente ondulado, o que contribui muito para o desenvolvimento da agricultura. Sua altitude varia em torno dos duzentos metros. A oeste do município corre o rio Paraná, ao sul o rio Iguaçu, ao norte fica o Lago de Itaipu e a sudeste o Parque Nacional do Iguaçu, uma das últimas reservas de mata nativa intacta que existem no Paraná. No sudoeste de Foz os Rios Iguaçu e Paraná se unem formando a tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Clima

O clima de Foz do Iguaçu é subtropical úmido mesotérmico, classificado por Köppen como Cfa. A cidade tem uma das maiores amplitudes térmicas anuais do estado, cerca de 14 °C de diferença média entre o inverno e o verão, isto deve-se a uma menor influência da maritimidade do que a que ocorre em outros municípios. Por isso os verões costumam ser muito quentes, com máximas médias em torno dos 33 °C e sensação térmica chegando a cerca de 40 °C,[18] e os invernos apesar de, na média, serem considerados amenos, ainda sim propiciarem quedas bruscas de temperaturas que podem fazer a temperatura cair abaixo de zero durante a passagem de frentes frias com a massas de ar polar na retaguarda. As chuvas costumam ser bem distribuídas durante o ano, com uma pequena redução no inverno, e a precipitação anual é de aproximadamente 1 900 milímetros (mm).

Demografia

Foz do Iguaçu é considerada um dos municípios mais multiculturais do Brasil, onde estão presentes mais de 72 grupos étnicos, provenientes de diversas partes do mundo, e dentre dos principais estão os italianos, alemães, hispânicos (argentinos e paraguaios), chineses, ucranianos, japoneses. Destaca-se que está presente a segunda maior comunidade libanesa do Brasil. Em termos proporcionais, possui a maior comunidade islâmica do Brasil. [30]

Devido a sua localização de fronteira com o Paraguai e a Argentina, Foz do Iguaçu apresenta uma grande circulação de mercadorias contrabandeadas, drogas e armas, o que gera diversos problemas sociais, principalmente a violência, fazendo com que a taxa de homicídios seja muito alta em proporção ao número de habitantes. O município lidera o ranking de homicídios entre adolescentes no país.[31]

Religião

Foz do Iguaçu é conhecida por ser uma das cidades com maior diversidade religiosa do Brasil.[32] Segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), neste ano, 58,55% da população do município era católica romana, 27,49% eram evangélicos, 7,07% não tinha religião, 2,18% eram islâmicos, 1,4% eram espíritas, 0,6% Testemunhas de Jeová, 0,41% budistas, 1,43%de outras religiões cristãs (incluindo Igreja Católica Apostólica Brasileira, Igreja Ortodoxa e Mormonismo e outros grupos ), e 0,36% outras religiões.[33]

Dentre as denominações protestantes em Foz do Iguaçu, a maioria da população é pentecostal, cerca de 18,26%. 1,1% da população é batista, 1,08% é adventista, 0,72% é luterana, 0,22% é presbiteriana, 0,18% metodista, 0,07% é congregacional e 5,78% não determinaram denominação.[33] As Assembleias de Deus são o maior grupo pentecostal, com 9,01% da população, seguida pela Congregação Cristã no Brasil com 2,38%, Igreja do Evangelho Quadrangular com 1,55%, Igreja Pentecostal Deus é Amor com 0,97%, Igreja Universal do Reino de Deus com 0,52% e Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo com 0,24%.[33]

Economia

As principais fontes de renda de Foz do Iguaçu são o turismo, que alavanca também o comércio e a prestação de serviços na região, e a geração de energia elétrica. É o segundo destino de turistas estrangeiros no país[11] e o primeiro da região sul.

Foz do Iguaçu é conhecida internacionalmente por suas atrações, que trazem visitantes do Brasil e do mundo. A mais famosa delas é o conjunto de quedas denominadas Cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do Iguaçu (Patrimônio Mundial Natural da Humanidade tombado pela UNESCO), a Hidrelétrica Binacional de Itaipu (maior hidrelétrica do mundo em produção anual de energia), o Marco das Três Fronteiras, a foz do Rio Iguaçu no Rio Paraná (área onde as fronteiras da Argentina, Brasil e Paraguai se encontram), a Ponte Internacional da Amizade(divisa entre Brasil e Paraguai) e Ponte da Fraternidade (divisa entre Brasil e Argentina), o Parque das Aves (com aproximadamente 900 aves de 150 espécies), entre outras.

Além dos tradicionais atrativos da cidade, outro fator de atração de turistas é a possibilidade de compra de produtos com preços reduzidos na vizinha Ciudad del Este. Durante todo o ano é grande o fluxo de sacoleiros (como são conhecidas as pessoas que compram em grande quantidade no Paraguai para revender no Brasil) que atravessam a Ponte da Amizade apenas para comprar, uma vez que normalmente pernoitam em Foz.

Outro atrativo oferecido pelas cidades vizinhas é a possibilidade de conhecer o lado argentino das Cataratas; nas proximidades também é possível frequentar os cassinos, atividade não permitida no Brasil.

Parque Nacional do Iguaçu – Cataratas – Foz do Iguaçu (PR) – 103 Anos.

Turismo

As Cataratas do Iguaçu e a Usina Hidrelétrica de Itaipu são as principais atrações da cidade. [35][36][37]

Infraestrutura

Foz do Iguaçu conta com um dos maiores parques hoteleiros do Brasil, além do Aeroporto Internacional Cataratas, servido pelas principais companhias aéreas nacionais e algumas internacionais.

Além das conhecidas atrações turísticas, conta com uma grande variedade de restaurantes, churrascarias, bares e casas noturnas e dois shopping center.[38]

O acesso rodoviário é feito pela BR-277, cujo término se dá na Ponte da Amizade.

Colégio Estadual Bartolomeu Mitre – construção de 1927. – Foz do Iguaçu (PR) – 103 Anos.

Educação

No ENEM de 2008, Foz do Iguaçu esteve em 33º lugar entre os municípios com mais de 200 mil habitantes[39]. Em 2011, a cidade também contou com a melhor média do IDEB para o ensino fundamental do Brasil[40].

Foi escolhida para alocar a Universidade Federal da Integração Latino-Americana. A Universidade, criada pela lei nº 12.189/2010, é uma instituição de ensino superior preocupada com a criação de um ambiente multicultural e interdisciplinar capaz de produzir profissionais e pesquisadores voltados para o desenvolvimento econômico, social, cultural e político da região, num espírito de igualdade entre todos os povos e culturas do continente. A universidade é um projeto único na história do ensino superior na América Latina. A sua vocação é a de contribuir para o desenvolvimento e a integração latino-americana, com ênfase no Mercosul, por meio do conhecimento humanístico, científico e tecnológico e da cooperação solidária entre as universidades, organismos governamentais e internacionais. Será uma universidade aberta para a América Latina e Caribe: a metade dos 10.000 alunos e dos 500 professores, previstos como meta, serão selecionados e recrutados nos vários países latino-americanos e caribenhos, sendo a outra metade formada por brasileiros.” Hélgio Trindade (reitor da UNILA).[carece de fontes?]

No ensino superior público, a cidade ainda conta com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná. No ensino superior privado, há a Faculdade de Foz do Iguaçu (FAFIG),[41] o Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu (CESUFOZ),[42] a Faculdade União das Américas (Uniamérica),[43] e a Faculdades Unificadas de Foz do Iguaçu (UNIFOZ).[44]

Ponte Internacional da Amizade – Foz do Iguaçu (PR) – 103 Anos.

Gastronomia

A comida típica da cidade é o Pirá de Foz, porém o Dourado (peixe de escamas encontrado no Rio Paraná) Assado faz grande sucesso na gastronomia local. Anualmente, acontece o Concurso do Dourado Assado, atraindo milhares de pessoas. Em Foz do Iguaçu, encontram-se diversos estilos de restaurantes, de variadas gastronomias, inclusive os tradicionais fast foods.

A culinária libanesa também recebe o seu destaque em Foz do Iguaçu, que possui vários estabelecimentos neste segmento, com destaque para o shawarma, um sanduíche feito com carne ou frango, muito apreciado por moradores e turistas[carece de fontes?].

Esportes

No passado a cidade possuiu as seguintes equipes no Campeonato Paranaense de Futebol, Itaipu Esporte Clube,[45] Foz do Iguaçu Esporte Clube,[46] Flamengo,[47] e Cataratas Esporte Clube.[48]

Hoje, é representada pelo Foz Cataratas Futsal, no futebol de salão, e pelo Foz do Iguaçu Futebol Clube, no futebol, este joga na primeira divisão paranaense e, pela 1ª vez, jogou a série D do Campeonato Brasileiro em 2016.

Foz do Iguaçu sediou em 1997 os Jogos Mundiais da Natureza e em 2013 uma etapa dos X Games.

9 ▒ GALERIA de FOTOS

10 ▒ CRÉDITOS

Datas, fatos e os nascimentos mais importantes no Brasil e no Mundo, em todos os dias do ano, ilustrado com fotos e curiosidades.

SITE ► acontecimentosdodia.com

FONTE PRINCIPAL ► WIKIWAND

OUTRAS FONTES de PESQUISA:

Cidades IBGEFilmowAdoro CinemaBIO (facebook)GShowAniv.DiaAniv.FamososHistoryHistory (facebook)

Paul Sampaio, perfil, 1  Paul Sampaio – Autor

PESQUISA e REALIZAÇÃO

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